Dia de tensão nas bolsas

A terça-feira foi de queda nos mercados mundo afora. Nos Estados Unidos, as bolsas tiveram as maiores perdas desde a eleição do presidente Donald Trump em novembro do ano passado. O índice Dow Jones caiu 1,14%; o S&P, 1,24%; e o Nasdaq, 1,83%. Por aqui, o Ibovespa caiu 2,93%, fechando em 62.980 pontos — o pior desempenho em quase quatro meses. Apenas duas ações do índice fecharam o dia em alta: Marfrig (0,75%) e Suzano (0,60%).

A maior parte da queda no mercado nacional veio das ações de siderúrgicas e mineradoras. A queda desses papéis seguiu o preço do minério de ferro, que desabou 4,3% na China. As ações preferenciais da metalúrgica Gerdau caíram 9%, as ordinárias da CSN, 8,4%, e as da Bradespar (holding que detém ações da Vale) recuaram 8,8%, enquanto os papéis preferenciais da Vale caíram 8%. A queda do petróleo também afetou as ações da Petrobras: os papéis ordinários caíram 3,1%; e os preferenciais, 4%.

O dia foi negativo também para grande parte das ações do setor de alimentos, com os desdobramentos da Operação Carne Fraca. Nesta terça-feira, a China pediu ao Brasil que adote medidas de segurança mais severas em seus embarques, enquanto Hong Kong vetou a importação de carne brasileira. A Suíça, por sua vez, decidiu suspender temporariamente a importação de carne produzida em quatro frigoríficos citados na Carne Fraca. O Japão também suspendeu a importação após o fechamento do mercado. As ações ordinárias da JBS caíram 1,9%; e as da BRF, 2,1%.

Nos Estados Unidos, as quedas foram atribuídas à crescente preocupação de que as políticas pró-crescimento do governo Trump não sejam aprovadas no Congresso. Nesta semana, Trump enfrenta seu primeiro grande teste: a revogação do sistema de saúde conhecido como Obamacare, que será votado pelo Congresso na quinta-feira. Alguns republicanos avisaram seus companheiros de partido que, caso não consigam avançar com a reforma do sistema de saúde, isso poderá comprometer outros objetivos, como a redução massiva de impostos e o plano de 1 trilhão de dólares de investimentos em infraestrutura.

Nos Estados Unidos, podemos estar no começo de um período mais longo de quedas, após as cotações recordes pós-eleição. No Brasil, analistas continuam otimistas de que a bolsa voltará à casa dos 70.000 pontos num futuro próximo.