Bolsas europeias fecham em queda por temores em relação à Itália

Bolsa de Milão fechou em queda de 3,78% e puxou os resultados ruins que atingiram todo o continente

As principais bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta-feira, como o mercado tenso em relação à instabilidade política na Itália, mesmo após o anúncio de renúncia do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, que deve acontecer assim que o Parlamento aprovar as medidas de austeridade exigidas pela Eurozona.

A taxa de juros italiana, por sua vez, superou o preocupante patamar de 7% nesta sessão, indicando forte insegurança do mercado.

Depois de uma abertura em alta, os mercados europeus voltaram ao terreno negativo, no qual permanecerão até o final da sessão.

O destaque da baixa foi a Bolsa de Milão, que recuou 3,78% ao término da sessão. Frankfurt perdeu 2,21%, Paris -2,17%, Madri -2,09%, Londres perdeu 1,92% e Atenas fechou em queda de 1,61%.

Já as bolsas asiáticas comemoraram o anúncio oficial da renúncia de Berlusconi até o final do mês e a adoção pelo Parlamento de uma série de medidas orçamentais e reformas econômicas prometidas à União Europeia (UE). Tóquio fechou em alta de 1,15%, Hong Kong subiu 1,71% e Seul 0,23%.

Neste contexto incerto, a taxa de juros italiana para 10 anos chegou a 7,16%, em relação aos 6,76% da véspera. Ontem, era esperado que a renúncia de Berlusconi devolvesse a credibilidade à Itália no mercado da dívida.

“Embora Berlusconi tenha prometido renunciar após a aprovação das medidas de austeridade no parlamento, o mercado de juros provavelmente reage à possibilidade de um governo de coalizão dividido no poder, o que só vai piorar a situação fiscal da Itália”, afirmou Kathleen Brooks, analista da Forex.com.

De acordo com especialistas, esta taxa de juros é insustentável a médio e longo prazo, dado o tamanho colossal da dívida italiana (1,9 trilhão de euros). Uma primeira emissão de títulos da dívida é prevista para quinta-feira e servirá como prova para a economia italiana.

O alto rendimento dos títulos foi o que obrigou a Grécia, Irlanda e Portugal a pedirem ajuda da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os mercados também foram afetados pela lentidão das negociações na Grécia. Georges Papandreou e o líder da oposição conservadora, Antonis Samaras, parecem que finalmente chegaram a um acordo quanto a formação do novo governo de coalizão.

Todos estes fatores afetaram o euro, que caiu em relação à moeda americana. Até às 12H30 GMT (10H30 de Brasília), a moeda europeia valia 1,3627 dólar, ontem à noite era equivalente a 1,3836 dólar.

Diante da crise da dívida europeia e da ameaça de recessão que paira sobre as economias industrializadas, a nova diretora geral do FMI, Christine Lagarde, alertou nesta quarta-feira em Pequim sobre o “risco de uma espiral da instabilidade financeira mundial, caso todos os países não atuem de forma conjunta”.