Após “bomba”, estes são os papéis mais indicados na Bolsa

Gestores ouvidos por EXAME falam sobre renda fixa e os papéis mais indicados para investir na Ibovespa após "bomba política"

São Paulo – O que fazer com o desespero que tomou conta da bolsa após a delação de Joesley Batista na Lava Jato?

Os gestores de fundos passaram o dia mudando o que podiam em suas carteiras. Quem tinha caixa aproveitou para comprar ações que caíram muito na onda de pânico que pegou o mercado – pouco depois da abertura da bolsa, o Ibovespa passou a cair mais de 10% e foi acionado o “circuit breaker”, mecanismo que interrompe o pregão por 30 minutos para esfriar os ânimos (foi a primeira vez que isso aconteceu desde a crise de 2008).

Gestores ouvidos por EXAME compraram ações do Banco do Brasil e da Guararapes, dona da varejista Riachuelo, que caíram cerca de 20% ao longo do dia.

O banco JP Morgan divulgou hoje um relatório a clientes recomendando reduzir a compra de ações brasileiras. Para o banco, Argentina e Chile são mercados mais promissores atualmente.

Mas, para quem achar que vale a pena fazer alguma aposta, os papéis mais indicados, segundo o JP, são os de empresas financeiras (mas não bancos), tradicionalmente defensivos, e de exportadoras, que ganham quando o dólar valoriza – enquanto o Ibovespa caía quase 8% às 15h30 horas de hoje, os papéis das produtoras de papel e celulose Fibria e Suzano subiam por volta de 10%.

“Se me perguntarem o que eu farei com o meu dinheiro a resposta é: abaixo de 55.000 pontos comprarei bolsa seguro de que terei um ótimo retorno”, diz Eduardo Moreira, sócio do banco Brasil Plural e colunista de EXAME Hoje.

“E manterei a maior parte de meus investimentos nos fundos multimercado conservadores que podem se aproveitar desta volta volatilidade sem correr grandes riscos e seguirei investindo em ações de dividendos e fundos imobiliários que se beneficiam de um cenário de queda de juros”, conclui.

Na renda fixa, também surgiram oportunidades. A principal delas, segundo executivos de mercado são os títulos públicos atrelados à inflação. O rendimento desses papéis vinha caindo há meses: ontem, alguns títulos pagavam menos de 5% ao ano, além da inflação.

Hoje, o retorno subiu para cerca de 6%, basicamente, por o risco aumentou. Se o caos nos mercados continuar, o dólar deve valorizar mais e isso tende a pressionar a inflação porque aumenta o preço de commodities e produtos importados.

Mas, como a economia continua fraca, os analistas acreditam que o repasse da alta do dólar para a inflação será relativamente pequeno e, por isso, seguem prevendo (ao menos por enquanto) a redução dos juros.