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O governo de Dilma Rousseff quer que as empresas de energia elétrica, cuja margem de lucro é a mais alta entre os setores não financeiros do país, reduzam as tarifas
Rio de Janeiro/Brasília - As negociações para revisão tarifária da Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo SA, que acontecem neste mês, vão mostrar se o governo está disposto a sacrificar o mais alto dividendo do país para combater a inflação.
A Eletropaulo, controlada pelo grupo AES Corp., está negociando com a Agência Nacional de Energia Elétrica o índice de reajuste das tarifas para os próximos quatro anos. A Aneel está propondo redução de 8,8 por cento.
O governo de Dilma Rousseff quer que as empresas de energia elétrica, cuja margem de lucro é a mais alta entre os setores não financeiros do país, reduzam as tarifas após a inflação ter excedido a meta de 4,5 por cento desde agosto de 2010. Uma redução muito alta vai comer o retorno do investidor e pressionar os custos, disse o presidente da Eletropaulo, Britaldo Soares.
“A importância do processo é a de manter o equilíbrio da capacidade de investimento das companhias diante dos desafios de modernização do Brasil, melhores tarifas para consumidores e retornos apropriados aos investidores a fim de manter o setor financiável”, disse Soares em entrevista em 22 de maio no Rio de Janeiro.
Eletropaulo, com sede em São Paulo, tem um retorno de dividendo de 28,5 por cento, o maior entre as companhias brasileiras com valor de mercado superior a US$ 500 milhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. As elétricas respondem por 8 dos 20 mais altos rendimentos.
Lucro operacional
A margem de lucro operacional das empresas elétricas é de 15,4 por cento, mais alta entre nove setores não financeiros acompanhados pela Bloomberg. A segunda maior margem é das empresas de bens de consumo.
As ações da Eletropaulo acumulam queda de 34 por cento este ano até ontem, enquanto o Ibovespa registrou queda de 5,9 por cento. A Energis SA, de Santiago, caiu 2,1 por cento.
A rentabilidade da indústria e o nível de dividendos mostram que as tarifas precisam ser “balanceadas” na direção do consumidor, disse Nelson Hubner, diretor-geral da Aneel.
“Se as empresas se tornam mais lucrativas em um ciclo tarifário, é um sinal de que se pode capturar parte disso no próximo ciclo”, disse Hubner em entrevista em 29 de maio em Brasília. “Vamos começar a fazer isso. O consumidor vai lucrar com isso.”
A assessoria de imprensa da Eletropaulo não respondeu aos telefonemas e e-mails para dizer se a redução de tarifas proposta pela Aneel vai significar redução dos dividendos.
A Cia. Paranaense de Energia, maior distribuidora da região Sul, também discute com a Aneel o reajuste de tarifas que entra em vigor a partir de 24 de junho. A agência reguladora propõe corte de 0,85 por cento nos preços da Copel.
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