A JBS sem emoção

Afinal, o que está acontecendo com o frigorífico JBS na bolsa? Esta quinta-feira é mais uma oportunidade para avaliar o peso das denúncias recentes sobre o valor de mercado da companhia. Ontem, os irmãos Joesley e Wesley Batista retornaram à presidência e ao comando do conselho de administração do grupo de J&F, controlador da companhia, depois de serem impedidos de exercer suas funções em decorrência da operação Greenfield, que investiga desvios em fundos de pensão. Ainda terão de pagar 1,5 bilhão de reais como seguro-garantia ao Ministério Público. Era para ser um acontecimento, não foi: as ações subiram 0,17%.

Desde que a operação foi deflagrada, na segunda-feira 5, as ações da companhia recuaram 5%. Nas 24 horas posteriores à condução coercitiva de Wesley, caíram 12%. Quando André Esteves foi preso, no dia 25 de novembro, as ações do banco BTG Pactual caíram 18% num dia, e mais de 50% em duas semanas. Personagens diferentes, condições diferentes, mercados diferentes. Mas um debate é o mesmo: a dependência dos fundadores para as companhias.

Esteves era o idealizador e o executor das estratégias e dos negócios do BTG. Não havia banco sem ele – cordão umbilical que, de lá pra cá, o BTG tenta cortar. Na J&F, a postura dos fundadores, de contratarem os executivos mais incensados do mercado para postos chave certamente blinda os negócios de solavancos – e pode, também, ajudar na bolsa. Para ficar em três exemplos: Gilberto Tomazoni, ex- BRF, é o principal executivo da JBS; Enéas Pestana, ex-presidente do Pão de Açúcar, cuida das operações da JBS na América do Sul; José Carlos Grubisich, ex-presidente da petroquímica Braskem e da Odebrecht Agro, responde pela Eldorado Celulose. Um time de peso como esse, no mínimo, tranquiliza a torcida – e os funcionários.