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Foi exatamente do lixo que Vik Muniz preparou a mais nova obra durante a realização da Rio+20. Com sucata o brasileiro fez um retrato do Pão de Açúcar. A dimensão do trabalho do artista reflete novamente o encontro do Rio. Uma única obra que contem como matéria-prima o resultado do esforço diário de milhares de catadores de material reciclável nos aterros da cidade. Foi assim também com o imenso balão amarelo e solitário do WWF que subiu ao céu levando a mensagem “Levem a SéRIO+20” aos líderes mundiais e Chefes de Estado.
Cerca de 5 mil pessoas trabalharam diariamente no Riocentro para receber as 188 delegações dos Estados-Membros da ONU e 12 mil delegados que vieram ao Brasil. 4.363 seguranças ficaram a postos para garantir a chegada, a participação e os discursos, nem sempre contundentes o suficiente – infelizmente -, dos 100 Chefes de Estado presentes na conferência.
Já os 9.854 integrantes das organizações não-governamentais e entidades que lutam pelo desenvolvimento sustentável, o objetivo comum buscado pela Rio+20, fizeram discursos fortes, protestaram e assinaram uma declaração de repúdio ao documento final e oficial da ONU “O Futuro que queremos”. Não foram apenas os signatários dessa declaração, mas muitos outros que chamaram o texto de pífio, vazio e fraco.
Mas o trabalho de 1.500 voluntários, principalmente jovens, que se ofereceram para estar na Rio+20 de graça, não pode ter sido em vão. A frase de um único homem, o mais importante na hierarquia das Nações Unidas, o secretário-geral Ban Ki-moon reafirma o legado desse encontro. “O resultado dessa conferência é mais do que um documento, é o início de um movimento global por mudanças”, disse . O coreano, com o tradicional sorriso contido dos orientais, tem toda razão.
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