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Poluição | 03/08/2012 09:50

Rio paulista tem menor capacidade de diminuir metais

Matéria orgânica de corpos aquáticos da região tem menor capacidade de se ligar a cobre e crômio e diminuir a disponibilidade dos metais tóxicos para organismos aquáticos

Elton Alisson, da

Creative Commons

Visão do rio Preto, em São José do Rio Preto, no noroeste paulista

O rio Preto, em São José do Rio Preto, foi um dos avaliados pela pesquisa

São Paulo - A capacidade de a matéria orgânica presente nos rios da região noroeste de São Paulo se ligar a metais e diminuir a disponibilidade deles para os organismos aquáticos é menor do que a de cursos de água de outras áreas no mundo.

Uma das hipóteses para explicar essa variação pode estar relacionada à mudança do tipo de vegetação no entorno dos rios da região, que nos últimos anos passou a ser composta em grande parte pela cultura da cana-de-açúcar.

As constatações são de um estudo de mestrado, realizado com Bolsa da Fapesp.

Os resultados do estudo serão apresentados em setembro em Hangzhou, na China, durante o 16º Encontro Internacional de Substâncias Húmicas, promovido pela Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas (IHSS, na sigla em inglês).

Durante o estudo, Amanda Maria Tadini avaliou a capacidade de complexação (interação) de cobre e crômio por substâncias húmicas – moléculas formadas a partir da degradação de restos de plantas e animais presentes em corpos aquáticos e que possuem a capacidade de inibir ou aumentar a disponibilidade de metais – presentes no rio Preto, na região de São José do Rio Preto, em uma área de plantação de cana-de-açúcar.

Para realizar a avaliação, Tadini coletou amostras de substâncias húmicas do rio, que é utilizado, entre outras finalidades, para o abastecimento e irrigação da região. O estudo foi realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Química do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto.

As análises das amostras de substâncias húmicas individualizadas (tais como foram extraídas do rio) e fracionadas (em tamanhos moleculares diferentes) revelaram que apenas 2% do total da composição de cobre e de crômio presentes no reservatório está complexado a substâncias húmicas. Mostraram também que praticamente os 98% restantes estão livres para se depositar em sedimentos do rio ou interagir com os organismos que nele vivem.

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