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A usina de Belo Monte deve ser feita no Rio Xingu
Cuiabá - Cerca de 700 pescadores de cinco comunidades da região do Rio Xingu, no Pará, realizaram hoje, no dia internacional de luta contra as barragens, uma romaria fluvial, em protesto contra a construção da usina de Belo Monte em Altamira. O evento terminou em frente à sede da Eletronorte, onde eles foram recebidos por mais de 100 mulheres e filhos de pescadores.
Foi a primeira manifestação dos pescadores, que também deverão ser atingidos pelo empreendimento. Ana Laide Soares Barbosa, do Movimento dos Pequenos Agricultores, disse que a proposta é, a partir de agora, construir um movimento mais organizado dos pescadores. "A pescaria foi a maneira de mostrar o potencial do rio. Foi o primeiro grito de alerta. Estes dias são a prova de que quando o rio está ameaçado, os pescadores vão defendê-lo".
Desde sexta-feira os pescadores promoveram "A grande pescaria em defesa do Rio Xingu e contra a Belo Monte". Os barcos receberam a bênção de dom Erwin Kräutler, bispo da prelazia do Xingu. Os organizadores estimam que durante os três dias foram pescadas cerca de 12 toneladas de peixes. Os peixes que não foram consumidos no almoço servido aos participantes foram doados para instituições de caridades em Altamira.
Segundo Fábio Barros, da Comissão Pastoral da Terra, de 25 e 27 deste mês será realizada, na cidade de Vitória do Xingu, a 45 km de Altamira, uma assembleia, com a expectativa de reunir cerca de 700 pescadores.
Impactos
Segundo um painel de especialistas, do ponto de vista da ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região), Belo Monte é tecnicamente inviável, pois irá destruir uma grande área. "Não existe compensação ambiental à altura desses impactos".
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