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Entrevista | 29/06/2012 07:35

O lado verde (sem cosmético) da L´Oréal

Gigante do setor de beleza investe na inovação sustentável para reduzir sua pegada ecológica; segundo diretor global de Meio Ambiente da marca, operação brasileira é modelo

Divulgação

Tecido biológico reconstruído em laboratório da L´Oréal

Tecido biológico reconstruído em laboratório: pele de verdade que subsitui testes em animais

São Paulo – De uma reunião com mais de mil executivos na Rio+20 saiu uma das lições mais preciosas para o mundo dos negócios, a saber, que a inovação será um dos principais fatores da sustentabilidade corporativa nos próximos anos. Afinal, tecnologias limpas e mais eficientes podem ajudar a reduzir o impacto ambiental das empresas e ainda gerar ganhos financeiros. Há mais de 30 anos na gigante francesa de cosmético e produtos de beleza L´Oréal, o espanhol Miguel Castellanos conhece bem o valor (e o poder) dessa premissa.

“Um negócio sustentável tem link direto com a lucratividade. Não é possível fazer de outra forma, o mundo move-se nessa direção. Estamos na Era da inovação verde”, afirma o diretor global de Sustentabilidade da marca. Em visita ao Brasil mês passado para checar as novas instalações da fábrica de São Paulo - que vai passar a usar etanol como combustível a partir de agosto - Castellanos falou à EXAME.com sobre as estratégias da empresa para reduzir sua pegada ambiental e ainda duplicar o número de consumidores, chegando a dois bilhões em todo o mundo até 2020, de forma sustentável.

EXAME.com: O que é inovação verde para a L´Oréal?

Castellanos – É o caminho para otimizar todos os recursos e com a visão global de garantir o menor impacto ao meio ambiente. A inovação sustentável tem que ser aplicada desde a escolha dos ingredientes usados na formulação dos produtos à redução das embalagens, incluindo sua produção industrial, seu design, até sua distribuição. Tornar a fórmula de um produto mais eficiente, diminuindo assim as fases de produção, também é inovação, é química verde.

Nos anos 80, demos exemplo ao abraçar de forma pioneira no setor de cosméticos a questão do tratamento ético dos animais, reconstruindo em laboratório tecido biológico para testar os produtos de pele e olhos ao invés de usar animais. Hoje, já chegamos a três camadas de pele, onde é possível inserir melanina e testar protetores solares. Em 2011, cerca de 130 mil exemplares de tecido biológico reconstruído foram produzidos no centro de pesquisa em Gerland.

EXAME.com – Se a L´Oréal testa seus cosméticos em tecido criado em laboratório, por que consta na lista do grupo PETA de empresas que testam, sim, em animais?

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Miguel Castellanos, diretor global de Sustentabilidade da L´Oréal

Catellanos: Em seis anos, as plantas do Brasil reduziram 54% das emissões de CO2

Castellanos – A razão é simples, a China ainda exige testes em animais para liberação de alguns produtos, não dá pra contrariar a legislação, se ela exige, temos que cumprir. Mas há bastante tempo nós trabalhamos com eles para mudar esse processo.

EXAME.com: Na prática, como a inovação verde ajuda a empresa a reduzir sua pegada ambiental?

Castellanos – Em 2005, a L´Oréal se comprometeu a reduzir em 50% suas emissões de CO2, o consumo de água e a geração de resíduos num prazo de 10 anos. Graças aos esforços conjuntos depreendidos nos últimos anos e em grande parte, pela inovação sustentável, para cada produto final, a empresa já conseguiu reduzir as emissões de CO2 em 29,8%, o consumo de água em 22,3% e a geração de resíduos em 24,2%. A fábrica do México, por exemplo, reduziu suas emissões em 60% utilizando turbinas eólicas para geração de energia, que hoje abastece 84% de toda demanda da planta. Já no Brasil, a redução de 30% das emissões foi conseguida graças à melhoria da eficiência das máquinas.

EXAME.com: Há outros exemplos de uso de energia renovável?

Castellanos – Sim. As fontes renováveis respondem por cerca de 33% do suprimento total de energia da L´Oréal em todo o mundo. A primeira fábrica com energia verde foi inaugurada na Bélgica há três anos. Ela fica no meio de várias fazendas, que geram resíduos agrícolas da produção de alimentos. Coletamos isso e transformamos em biogás para gerar eletricidade para a fábrica.

A geração local de energia é mais do que suficiente para abastecer a fábrica e ainda gera excedente para a rede que, em 2010, foi o equivalente a energia necessária para abastecer 4 mil residências.

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