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Andrew Liveris, CEO da Dow, durante anúncio de patrocínio ao COI em 2010
São Paulo – Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres prometeram que o evento esportivo seria o mais verde de que se tem notícia. Mas um contrato de patrocínio fechado em janeiro com a empresa do setor químico Dow Chemical para o Estádio Olímpico tem gerado polêmica e colocado em xeque as credenciais sustentáveis da competição.
Por trás do alvoroço está o fato da Dow ser dona da Union Carbide, empresa responsável pelo acidente de Bophal, na Índia, em 1984, que entrou pra história como um do maiores desastres industriais. Na ocasião, 45 toneladas de gases tóxicos vazaram de um tanque da fábrica de pesticidas da Union Carbide, matando por intoxicação ao menos 25 mil pessoas, sendo que mais de 500 mil, a sua maioria trabalhadores, foram expostas aos gases. Estima-se que 150 mil pessoas ainda sofrem as consequências do acidente tóxico, que tem efeito cancerígeno sobre a saúde e gera deformações físicas em fetos.
Sete anos mais tarde, em 1991, a Union Carbide foi comprada pela Dow Chemical e uma parte da compensação do trágico incidente foi pago, algo em torno de 470 milhões de dólares. Entretanto, o governo indiano e a própria população exigem mais 1,7 bilhões de dólares em indenizações para as vítimas.
Frascos de químicos na fábrica desativada (imagem de 2009)
A aquisição póstuma à tragédia é usada pela Dow como uma espécie de carta-coringa contra críticas que tentam culpá-la pelo acidente, que culminou com o banimento de comercialização no território indiano de produtos da Union Carbide. No entanto, revelações recentes publicadas pelo jornal britânico The Independent puseram mais lenha na fogueira.
O periódico afirma ter acessado documentos que indicam no mínimo uma falha de reponsabilidade sócio-ambiental, para não entrar nos méritos legais. Segundo reportagem publicada em sua edição online, o periódico afirma que a Dow teria comercializado produtos da Union Carbide por meio de empresas intermediárias na Índia, apesar da proibição da justiça.
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