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Na foto, Ladislau Dowbor, Matthew Shirts, Ricardo Abramovay e Eduardo Gianetti
São Paulo - O sociólogo Ricardo Abramovay e os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e Ladislau Dowbor são grandes nomes da economia brasileira e parte importante da corrente acadêmica que tem uma certeza: os limites planetários já foram ultrapassados e não há mais como viver em uma sociedade com tantas desigualdades sociais e econômicas. As perguntas que fazem ao homem de hoje são: “Qual é o sentido da vida econômica? Produzir mais para quê?”. Estas são questões cruciais no livro Muito Além da Economia Verde, de Abramovay, o primeiro com o selo do Planeta Sustentável e o apoio da CPFL Energia e a da Fundação Avina, lançado em junho para pequenos públicos, também durante a Rio+20.
Para comentar essas ideias – e realizar o primeiro encontro aberto ao público com o autor (estão programados mais dois: no Rio de Janeiro e em Recife) –, reunimos os três especialistas, em 20/08, à noite, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. A mediação ficou com Matthew Shirts, redator-chefe da revista National Geographic Brasil e coordenador do nosso movimento.
Ao dar início à conversa, Shirts destacou a provocação contida no título do livro: se ainda não conquistamos uma economia verde, como pensar em ir além dela? Para Ladislaw Dowbor, professor titular da pós-graduação na PUC, doutor em Ciências Econômicas pela Escola de Estatística e Planejamento de Varsóvia e conselheiro do Planeta Sustentável, o título é feliz porque deixa bem clara a opção de não seguir o mesmo padrão atual de comportamento. “Reciclamos um pouquinho e diminuímos como podemos a emissão de gases dos automóveis, mas o que precisamos é de uma mudança estrutural”.
Dowbor citou trecho do livro de Abramovay que destaca que os mercados têm papel irrelevante em parte crescente da inovação, da produção do bem-estar e da prosperidade das sociedades contemporâneas. A ampliação do conhecimento e o fortalecimento das redes sociais seriam muito mais importantes. “Se pensarmos no valor de um iPhone, por exemplo, grande parte do seu custo não vem da produção, mas do conhecimento, do desenvolvimento de tecnologia”, exemplificou. “E conhecimento não gera gás de efeito estufa. Além disso, conhecimento é um fator de produção que pode ser multiplicado, democratizado. Ele circula livremente pelo planeta devido às novas tecnologias”.
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