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Ponte da Amizade liga o Brasil ao Paraguai: chanceler do país vizinho diz que preço que Brasil paga pela energia excedente de Itaipu é baixo demais
Rio de Janeiro - O Paraguai pretende consumir uma porcentagem maior da energia gerada na hidroelétrica binacional Itaipu e quer que o Brasil pague mais pelo excedente de eletricidade que lhe é fornecido, anunciou o chanceler paraguaio, José Félix Fernández, em entrevista publicada nesta sexta-feira na "Folha de S. Paulo".
"Aqui há um preço que não é o mesmo para o resto do mundo. Será um melhor negócio usar essa energia em nosso território do que continuar vendendo (ao Brasil)", afirmou o ministro.
Fernández esclareceu que as declarações do presidente do Paraguai, Federico Franco, de que o Paraguai não está disposto a continuar "cedendo" energia ao Brasil foram mal interpretadas, já que o que o Paraguai quer é aproveitar essa eletricidade em seu território e que os brasileiros paguem mais pelo excedente.
"O que o presidente defende é que o Paraguai tenha que, gradualmente, ir usando essa energia. Até o momento, o Paraguai continuará vendendo ao Brasil parte da energia que lhe corresponde e da qual é proprietário", acrescentou Fernández.
Segundo o ministro, a elevação do consumo da energia de Itaipu, hidroelétrica compartilhada pelos dois países, é a melhor ferramenta que o Paraguai tem para sua industrialização.
Brasil e Paraguai têm direito cada um a 50% da eletricidade gerada por Itaipu, e, segundo o acordo entre ambos países, a energia que um dos dois não aproveite tem que ser vendida ao outro sócio.
Como o Paraguai satisfaz sua demanda com apenas 10% da eletricidade, o resto acaba no Brasil, que desde o ano passado paga por essa energia cerca de US$ 360 milhões anuais. O preço foi triplicado em 2011, após longas negociações lideradas pelo então presidente Fernando Lugo.
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