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Pagamento | 10/08/2012 12:15

Paraguai pede aumento do preço da energia paga pelo Brasil

Em entrevista à "Folha de S. Paulo", chanceler diz que "será um melhor negócio usar a energia [excedente] em nosso território do que continuar vendendo ao Brasil"

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Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai

Ponte da Amizade liga o Brasil ao Paraguai: chanceler do país vizinho diz que preço que Brasil paga pela energia excedente de Itaipu é baixo demais

Rio de Janeiro - O Paraguai pretende consumir uma porcentagem maior da energia gerada na hidroelétrica binacional Itaipu e quer que o Brasil pague mais pelo excedente de eletricidade que lhe é fornecido, anunciou o chanceler paraguaio, José Félix Fernández, em entrevista publicada nesta sexta-feira na "Folha de S. Paulo".

"Aqui há um preço que não é o mesmo para o resto do mundo. Será um melhor negócio usar essa energia em nosso território do que continuar vendendo (ao Brasil)", afirmou o ministro.

Fernández esclareceu que as declarações do presidente do Paraguai, Federico Franco, de que o Paraguai não está disposto a continuar "cedendo" energia ao Brasil foram mal interpretadas, já que o que o Paraguai quer é aproveitar essa eletricidade em seu território e que os brasileiros paguem mais pelo excedente.

"O que o presidente defende é que o Paraguai tenha que, gradualmente, ir usando essa energia. Até o momento, o Paraguai continuará vendendo ao Brasil parte da energia que lhe corresponde e da qual é proprietário", acrescentou Fernández.

Segundo o ministro, a elevação do consumo da energia de Itaipu, hidroelétrica compartilhada pelos dois países, é a melhor ferramenta que o Paraguai tem para sua industrialização.

Brasil e Paraguai têm direito cada um a 50% da eletricidade gerada por Itaipu, e, segundo o acordo entre ambos países, a energia que um dos dois não aproveite tem que ser vendida ao outro sócio.

Como o Paraguai satisfaz sua demanda com apenas 10% da eletricidade, o resto acaba no Brasil, que desde o ano passado paga por essa energia cerca de US$ 360 milhões anuais. O preço foi triplicado em 2011, após longas negociações lideradas pelo então presidente Fernando Lugo.

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