Produtos da marca Trump sumiram das lojas de departamentos

Restam poucos itens à venda e geralmente são produtos de ponta de estoque oferecidos em websites de descontos

Donald Trump fez uma previsão após varejistas terem rejeitado sua marca em virtude de comentários polêmicos dele em 2015. “Todos vão voltar”, ele disse.

Quase todos se mantiveram longe.

A inesperada vitória dele na campanha presidencial fez pouco para ajudar um negócio de licenciamento que, em seu melhor momento, tinha acordos com empresas como a rede de lojas de departamentos Macy’s, a companhia de vestuário PVH e a fabricante de colchões Serta Simmons Bedding.

Restam poucos itens à venda e geralmente são produtos de ponta de estoque oferecidos em websites de descontos.

Em sua maioria, as companhias que tiveram negócios com o astro do programa “O Aprendiz” se negaram a conversar com a Bloomberg News sobre o assunto.

Uma exceção foi a Overstock.com, que admitiu que itens da marca Trump estavam à venda por engano. Um desses itens era um único terno masculino, oferecido por US$ 189, que foi retirado do website após o contato da reportagem.

A varejista online de descontos se juntou à longa lista de empresas que romperam o relacionamento com a marca quando o então candidato Trump ridicularizou o senador John McCain por ter sido prisioneiro de guerra no Vietnã e afirmado que o México enviava estupradores para os EUA.

A marca de Ivanka Trump também foi prejudicada, mas não tanto quanto a do pai, embora ambas continuem sendo alvo de boicotes online.

Os produtos dela sumiram de lojas de departamentos como Nordstrom e Neiman Marcus Group, mas continuam em outros canais, incluindo a Overstock. O pai dela perdeu contratos de licenciamento junto à PVH e à Serta.

A Trump Organization, que supervisiona o império empresarial do presidente, se recusou a responder perguntas sobre a marca Donald Trump, que já estampou camisas, óculos, perfumes, desodorantes, luminárias e espelhos.

‘Success by Trump’

A Perfumania lançou a fragrância “Success By Trump” exclusivamente nas lojas Macy’s em 2012. Em março de 2015, lançou uma segunda versão, “Empire by Trump”.

Três meses depois, o comentário de Trump sobre os mexicanos levou a Perfumania a parar de vender a marca Trump, ficando com um estoque enorme. Na ocasião, Trump disse à revista Forbes que “todos vão voltar”.

O presidente estava certo pelo menos em relação à Perfumania. O relacionamento dessa empresa com a marca Trump acompanha a volatilidade da trajetória política dele.

A companhia se afastou quando ele era visto como um candidato extremista com pouca chance de vitória. Mas quando ele venceu a corrida pela Casa Branca, a Perfumania trouxe de volta produtos Trump, como desodorante e colônia.

Mas não está disposta a falar sobre o assunto. Diversos telefonemas e e-mails da reportagem para o presidente da companhia e para a equipe de relações públicas não foram retornados. Um profissional de relações públicas da empresa chegou a desligar o telefone.

Na Trump Tower

A combalida rede de lojas de departamentos Sears Holding recentemente parou de vender produtos de uso doméstico da marca Trump e afirmou por comunicado que frequentemente remove produtos com base na demanda.

Mas acrescentou que vendedores independentes ainda oferecem produtos Trump no mercado.

Na Trump Tower, em Nova York, a marca de Ivanka era exibida de forma mais proeminente do que a do pai. No térreo, há uma butique dedicada às joias e bijuterias que levam o nome dela.

Ali perto, também são oferecidos outros produtos com o nome da família, mas a maioria com a marca Trump Hotel e Trump Tower. No subsolo, são vendidos itens da campanha presidencial.