São Paulo - O debate sobre o machismo no mundo das marcas e da publicidade não é coisa nova.

Há um bom tempo, campanhas têm denunciado a objetificação das mulheres nos comerciais. Elas são sempre hiperssexualizadas e retratadas com base em estereótipos.

Uma campanha de janeiro de 2015, por exemplo, compilava diversos exemplos e chegava à conclusão de que 2014 fora um ano bem sexista. 

Já Michele Morelli, vice-presidente de marketing da AOL, chegou a listar algumas práticas para levar o feminismo às marcas.

Até um Tumblr brasileiro, o Liga das Heroínas, une histórias preocupantes de machismo nas agências de publicidade.

Outras marcas criaram suas campanhas feministas para deixar claro seu ponto de vista, como Barbie e Always. A agência nova/sb também debateu o problema.

E não é preciso ir muito longe para encontrar esses péssimos exemplos. Ligar a televisão por uma hora e assistir a alguns intervalos comerciais já será o suficiente.

No Brasil, campanhas como a da Itaipava (aquela do "Vai, verão") ou Skol (a do "Esqueci o Não em casa") apenas reforçam o machismo do século 21.

Uma nova campanha batizada de #WomenNotObjects ("Mulheres, Não Objetos") vem deixar ainda mais óbvio o tamanho do problema.

Primeiro, foi feita uma pesquisa no Google com o termo "objetificação da mulher".

Claro, encontraram diversos exemplos de machismo -- e de marcas importantes, como SKYY, Burger King, Budweiser, Tom Ford e Post-It.

Depois, mulheres aparecem segurando essas imagens e ironizando a "mensagem" presente na peça publicitária.

Por exemplo, para uma foto do Burger King, de uma mulher de boca aberta prestes a devorar um sanduíche (dando uma conotação claramente sexual, de duplo sentido), uma mulher diz "Eu amo fazer sexo oral em sanduíches".

Em outra, da Post-It, onde um homem esquece o nome de uma mulher em sua cama (e, por isso, decide colar um recado em sua testa), a mulher diz: "Eu amo dormir com homens que não sabem meu nome".

Ao final, a campanha encoraja o uso da hashtag  #WomenNotObjects e passa uma mensagem clara: "Eu sou sua mãe/filha/irmã/colega de trabalho/chefe/CEO. Não fale comigo dessa maneira".

Assista ao vídeo:

Tópicos: Feminismo, Machismo, Marcas, Mulheres