São Paulo - Os sites de leilões online nem chegaram a virar febre no Brasil e já enfrentam o desafio de conquistar a confiança do consumidor. Também conhecido como leilões reversos ou de centavos, a modalidade passou a atuar no país por volta de 2008, mas apenas em 2010 a categoria começou a se expandir.

Hoje, segundo o ranking do site Alexa, existem quase 50 players neste mercado e, embora o crescimento da concorrência tenha fomentado o setor, a facilidade de montar este tipo de negócio trouxe muitos empreendedores despreparados. Para sites como Mukirana, Leilão Vip e Centavando, o mais acessado no Brasil, o principal desafio em pauta é ter credibilidade.

A atividade é baseada no conceito “Entertaining Shopping”, que une o aspecto lúdico ao ato de comprar. Para as empresas, a receita é gerada a partir da venda de pacotes de lances, que permitem aos consumidores participarem dos leilões. Entre as categorias mais procuradas pelos internautas, os produtos de informática, como notebooks, videogames e computadores lideram com 56% das intenções de compra dos consumidores que visitam os sites de leilões online.

A informação é do levantamento realizado pelo Mukirana com 400 mil consumidores cadastrados em portais de leilões virtuais. Ainda segundo a pesquisa, 72% do público que frequenta estes sites é do sexo masculino, geralmente interessado em adquirir produtos de informática, games e eletrônicos. Já as mulheres, que representam 28%, buscam ofertas relacionadas a categorias como beleza e saúde, esporte e lazer.

Parcerias para aumentar a distribuição

Criado em 2009, o Mukirana conta hoje com 400 mil usuários cadastrados e experimentou dois picos de crescimento. “O primeiro foi entre o fim de 2010 e o início de 2011 e o outro, no segundo semestre do ano passado. Hoje, estamos em um momento de estabilização de crescimento”, diz Carlos Barros, sócio-fundador do Muquirana.

Entre os consumidores que acessam o site, 80% são homens, em sua maioria do Sudeste e do Nordeste, pertencentes às classes B e C, segundo dados da empresa. Uma das formas encontradas para atrair a atenção das mulheres e aumentar a participação feminina foi a realização de promoções com produtos da linha branca. Outra ação com esse propósito foi a parceria com a Monte Carlo Joias em um leilão.

Em 2011, o Mukirana faturou R$ 5 milhões e planeja um crescimento de 25% a 30%, acompanhando a previsão da e-bit para o e-commerce em 2012. O site também se uniu aos varejistas eletrônicos Submarino.com, Americanas.com e Compra Fácil para ampliar a oferta de produtos e expandir no Brasil a distribuição das mercadorias arrematadas, por meio do aparato de logística das empresas.

Leilão Vip foca nos aposentados

Para o site Leilão VIP, o foco são os consumidores das classes AB, com idade entre 35 e 55 anos, que representam 55% dos usuários cadastrados. Os usuários acima de 56 anos também são representativos para a empresa, compondo 32% da base de internautas que participam dos leilões do site. Os homens também são maioria, totalizando 70% dos internautas pertencentes à base do Leilão VIP. Entre os produtos leiloados estão relógios, itens de informática e eletrônicos disponíveis para 90 mil usuários.

“Após realizar uma pesquisa de campo, verificamos que muitos dos usuários cadastrados eram aposentados que, por não poderem mais se divertir com bingos, passaram a procurar na internet outra forma de entreter e tirar alguma vantagem disso”, afirma Cláudio Holl, Sócio Diretor do Leilão VIP.

Tentar traçar um perfil desses usuários, bem com monitorar os leilões na web ainda é um desafio. “De um lado, temos consumidores que buscam uma forma de entretenimento e, do outro, há consumidores que talvez não pudessem adquirir produtos de valor elevado pelo modo tradicional”, explica Henrique Gasperoni, diretor de marketing da Associação Brasileira de E-Business.

Brasileiros não têm referências na cultura dos leilões

Encarar a desconfiança dos consumidores é uma das principais dificuldades para os sites de leilões virtuais. Ainda não há uma legislação específica que regulamente a atividade e muitos portais, por ma fé ou por falta de conhecimento dos empreendedores, acabam se envolvendo em casos de fraudes.

Para lidar com o problema, os portais criaram áreas com depoimentos dos internautas que arremataram produtos nos leilões. A medida, no entanto, deve ser pensada com cautela.

“É perigoso apostar neste tipo de ação para gerar credibilidade, pois as empresas tendem a mostrar apenas os comentários que são favoráveis. O brasileiro ainda não tem a cultura de comprar em leilões online, não possui referências para discernir quais sites são confiáveis ou não. Seria melhor colher os depoimentos em fóruns ou outras fontes neutras de informação”, ressalta Gasperoni.

Além de tentar ganhar a confiança dos consumidores, se manter no negócio é outro desafio para quem aposta nos leilões online. “Os sites dessa categoria estão passando por um momento semelhante ao boom das compras coletivas no Brasil, quando muitos players surgiram, mas apenas poucos resistiram e se consolidaram. Para o futuro, é possível que o modelo de negócio sofra algumas mudanças, talvez ganhando uma versão para redes sociais”, aponta Mauricio Salvador, fundador da e-commerce School.

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