São Paulo - A Nokia vai ter de prestar esclarecimentos sobre a campanha viral "Perdi meu amor na Balada" ao Procon-SP, órgão de defesa do consumidor, e ao Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. As entidades investigam se a ação de marketing violou direitos dos consumidores, já que não estava identificada desde o início como publicidade.

No Conar, a representação foi aberta ontem, com base nas reclamações de 10 consumidores. Segundo o órgão, o processo enquadra-se no artigo 9º do código de autorregulamentação publicitária, que diz que toda campanha publicitária deve ser ostensiva e necessariamente identificada como propaganda.

A ação deve ser julgada nos próximos 30 dias.

Já no Procon, a investigação não foi instaurada com base nas reclamações de consumidores, e sim por uma observação do próprio orgão, de que a campanha poderia estar violando o direito do consumidor no que diz respeito à ausência de comunicação de que a ação se tratava se publicidade.

De acordo com o diretor executivo da Fundação Procon-SP, Paulo Arthur Góes, o CDC  é claro: "A comunicação de natureza  publicitária  deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como ta."

O processo pode levar até 120 dias para ser concluído. Caso o Procon-SP constate que a Nokia desrespeitou o código de defesa do consumidor, a empresa pode receber uma multa que varia de R$ 400 a R$ 6,5 milhões.

Procurada por EXAME.com, a Nokia afirmou que ainda não recebeu nenhuma notificação formal, e que por esse motivo, não se manifestaria sobre o assunto.

"Perdi meu Amor na Balada"

A campanha começou no dia 10 deste mês, com um vídeo postado no YouTube em que o jovem Daniel Alcântara supostamente pedia a ajuda das pessoas para encontrar Fernanda, uma garota que conhecera em uma casa noturna de São Paulo.

A história, até então, não estava identificada como publicidade, e foi intensamente compartilhada em redes sociais por internautas que se comoveram com o apelo do rapaz.

Uma semana depois, porém, a Nokia revelou que tratava-se de uma ação de marketing para divulgar seu modelo de smartphone 808 PureView.

Criada pela agência Na Jaca, a ação viral envolveu a produção de três vídeos que, juntos, superaram 1 milhão de visualizações em uma semana, segundo a Nokia.

Houve também fan page oficial - agora já estampando o logo da Nokia -, anúncios no Facebook e cartazes colados em diferentes pontos de São Paulo com o retrato falado da personagem Fernanda.

A revelação dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas elogiaram a ação, julgando-a audaciosa, outros não gostaram de ter compartilhado algo sem saber que se tratava se publicidade e acharam-se enganados pela marca, em uma frustração coletiva que se refletiu nas reclamações feitas ao Conar.

No dia em que a real intenção da campanha foi levada a público, Maria João Abujamra, uma das sócias da Na Jaca, defendeu a ação, afirmando que a história, antes de tudo, era sobre o amor. "Este foi o intuito da Nokia: fazer com que as pessoas enxerguem que ainda existem pessoas como o Daniel, que move montanhas por amor", explicou.

Assista ao primeiro filme da campanha


Veja o filme em que a Nokia revela a ação

*Atualizada às 17h27min do mesmo dia.

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