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Neogama/BBH | 07/07/2012 08:00

Não é hora de sair do Brasil, diz Alexandre Gama

Com a compra da Neogama/BBH pelo grupo Publicis, sócio e diretor de criação assume do Brasil o posto de líder criativo global da BBH

Cris Simon, de

EXAME.com - A BBH tem oito hubs em países muito diferentes entre si (São Paulo, Nova York, Londres, Xangai, Mumbai, Cingapura e Los Angeles). Como você pretende liderar a área criativa da BBH?

Gama - Vou coordenar todos os chief creative officers desses lugares, e faremos juntos um plano de globalização do recurso criativo da rede. Uma coisa é ser global a partir de um ponto, e outro é ser multinacional centralizando não apenas em um lugar, mas usando os recursos de todos os países como parte da rede. O esforço é construir um time de global de criaçlão que seja realmente multinacional, que essas nacionalidades tenham os mesmos pesos.

EXAME.com - Você vai importar algo do jeito inglês de fazer propaganda? Exportar alguma característica brasileira?

Gama - A publicidade inglesa tem qualidade de produção e atenção ao detalhe, às pequenas coisas que fazem as grandes ideias. Você olha um filme inglês, e vê que a execução da ideia foi perfeita. O Brasil é muito rápido, muito varejo e imediatista, e isso é cultural. Por causa da cultura da inflação, nunca sabíamos como estaria no dia seguinte. O cuidado com o tempo no Brasil é uma coisa a ser aprendida com os ingleses. A intenção é entender como usaremos isso para ter uma qualidade de produto melhor. Ter um olhar mais artesão. Vou tentar aplicar uma visão tropicalista, fagocitando essas coisas que estão lá fora, para combinar com o que somos.

EXAME.com - Você esteve recentemente em Cannes, onde a Neogama/BBH conquistou o Grand Prix de campanha mais efetiva de 2011, além de 21 Leões. Que percepção você traz de lá?

Gama - O Grand Prix de eficácia para mim é a tendência. É a criatividade não como um fim em si, mas um meio para a eficária. É muito difícil para um criativo olhar as coisas assim. O brilho do mundo da criação sempre foi muito tentador. Mas o GP para mim foi a estrela. Acredito na criatividade com o planejamento.

Achei também que os trabalhos na mídia eletrônica estavam melhores em 2011, mas é uma comparação injusta, porque cada ano tem uma verdade muito característica em si. Acho que o anunciante, que está participando cada vez mais do festival, também está fazendo o caminho inverso. É importante que ele perceba que para ter eficácia, precisa ter criatividade.

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