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Entrevista | 14/07/2012 08:00

Marcas só inovam aliando busca por lucro a valores humanos

Para Lourenço Bustani, uma das 100 pessoas mais criativas nos negócios, valores sociais e ambientais deveriam estar sempre na estratégia das empresas

Cris Simon, de

 

EXAME.com - Você nasceu em Nova York e passou por em uma série de países como Canadá, Londres, Amsterdã, Paris... Por que escolheu o Brasil?

Bustani – É meu país. Não tendo morado aqui grande parte da minha vida, e tendo viajado muito por ser filho de diplomatas, senti necessidade de entender melhor minha identidade nacional: a que país pertenço? Às vezes passava férias no Brasil e tinha um sentimento de que eram sempre os melhores dias da minha vida. Quando cheguei, me dei conta de que aqui existem coisas muito sutis e um tanto quanto intangíveis, que eu valorizo muito: o jeito humano brasileiro, o toque, o olho no olho, a generosidade. Houve também uma questão profissional. Chegando aqui, demorou muito pouco tempo para eu perceber que o mercado era fértil para novas ideias bem concebidas e bem planejadas. Essa confluência de fatores pessoais e profissionais me trouxe para o Brasil e me mantém aqui. 

EXAME.com – Como a vivência em tantos países diferentes influenciou a sua maneira de ver o mundo e as pessoas?

Bustani - Me considero uma pessoa muito integradora. Acredito nessa mescla de conhecimentos, referências, culturas e amigos. Conseguir coexistir dentro de um contexto de contrastes e diferenças e prosperar nesse tipo de ambiente é algo que a vida me deu, e que eu acabei precisando treinar por uma questão de adaptação. A cada quatro ou cinco anos eu precisava sair de um contexto e entrar em outro: novas escolas, novos amigos. E isso se desdobra em uma série de outras coisas. Me considero muito tolerante. Não acredito em verdades absolutas. Estou sempre tentando dialogar com pessoas que tenham pontos de vista muito divergentes dos meus.

EXAME.com – E para o negócio Mandalah, quais as vantagens desse contexto multicultural?

Bustani - Hoje eu tenho uma rede de pessoas muito queridas e de muita confiança em quase todas as grandes capitais do mundo. E se não forem meus amigos, por meio de um grau ou, no máximo, dois, haverá alguém com quem eu possa contar em quase qualquer país. Isso traz uma vantagem considerável para o nosso negócio. A globalização da Mandalah facilitou-se em função dessas redes. Além disso, o que faço hoje é produto do que eu já vivi. Isso é muito natural. A vida de todo mundo é um reflexo do que já foi vivido. 

EXAME.com – O que mudou em 6 anos?

Bustani – Do começo até hoje crescemos quase 500%. Estamos em uma trajetória muito positiva, com uma gestão financeira saudável e rentabilidade prevalecente, o que é importante. As pessoas não acreditam que um negócio com todos esses ideais possa gerar lucro. Gera lucro, recebemos dividendos, estamos muito bem. Mas as pessoas que foram impactadas pelo nosso trabalho são métricas muito mais reveladoras. 

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