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São Paulo –“Uma ideia só é inovadora se melhorar a vida das pessoas”, acredita Lourenço Bustani. Aos 32 anos, o empresário foi destaque na Fast Company como uma das 100 pessoas mais criativas no mundo dos negócios em 2012, ficando na 48ª posição do ranking.
Ao lado do publicitário Igor Botelho, Bustani criou em 2006, em São Paulo, a Mandalah, com a proposta de sensibilizar empresas sobre o papel delas no meio ambiente e na sociedade.
Hoje, a consultoria tem escritórios também no Rio de Janeiro, em Nova York, na Cidade do México, em Berlim e em Tóquio, e emprega 45 pessoas. Uma operação que cresceu quase 500% desde que foi fundada.
Apesar de ter nascido em Nova York, Bustani considera-se brasileiro. Filho de diplomatas e formado em administração e ciência política pela Universidade da Pensilvânia, Lourenço passou grande parte da infância e adolescência viajando, o que, segundo ele, contribuiu para um olhar multicultural e integrador, muito voltado para valores humanos. “Uma visão representada pelo H no fim de Mandalah”, explica.
Em entrevista a EXAME.com, o empresário fala sobre sua relação com o Brasil, o trabalho desenvolvido pela Mandalah e a coerente ligação entre lucro e sustentabilidade.
EXAME.com - Qual é o propósito da Mandalah?
Bustani - Sensibilizar organizações para que elas ressignifiquem o papel que exercem não só dentro de um contexto de mercado, mas dentro de uma sociedade. Ajudar a conciliar essa busca incessante por lucro, que é fundamental, com o que consideramos ser uma busca necessária por propósito.
EXAME.com – O que você define como "inovação consciente"?
Bustani – A inovação nasce na intersecção entre lucro e propósito. Tem a ver com a crença de que uma ideia só é inovadora se necessariamente melhorar a vida das pessoas. Queremos sensibilizar organizações para que elas tenham consciência sobre o papel que exercem, e com isso redefinam esse papel. Ajudamos no desenvolvimento de uma visão sistêmica sobre os impactos diretos e indiretos das atitudes das organizações.
EXAME.com - É difícil buscar lucro tendo uma mente voltada para a sustentabilidade?
Bustani - De maneira alguma. É o único caminho que eu enxergo. Gerar lucro em detrimento de algo ou alguém é inconcebível, desumano. Ver o lucro gerar um residual positivo e esse residual positivo gerar lucro é uma situação de ganha-ganha e de valor compartilhado absolutamente coerente. A sustentabilidade não pode ser uma discussão periférica. Deve estar em todas as considerações estratégicas de uma empresa.
EXAME.com – Essa visão se reflete de alguma forma na carteira de clientes com os quais vocês trabalham?
Bustani – Só não trabalhamos com empresas de tabagismo. Não há algo bom que essa indústria possa oferecer. Dito isso, estamos sempre abertos a diálogos. Mesmo em empresas petrolíferas - como a Petrobras, por exemplo, com a qual trabalhamos - existem esforços e iniciativas bem intencionados que devemos ajudar a desenvolver. Muitas vezes esse diálogo se conclui e vemos que não existe sinergia. Mas isso acontece em qualquer relação de empresa com parceiro ou financiador.
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