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Diferente: Anderson Silva, o maior lutador de MMA da atualidade e campeão do peso-médio do UFC, é garoto-propaganda de marcas como Nike, Burger King e Philips
Londres - O Brasil é o país com o maior número de campeões mundiais e possivelmente de praticantes de MMA no mundo. Enquanto isso, o boxe vive um jejum desde 1968 em busca de um pódio em Olimpíada.
O pugilista Everton Lopes, atual campeão mundial dos meio-médio ligeiros (até 64kg) e grande aposta do Brasil para conquistar uma medalha nos Jogos de Londres, vive com recursos de um programa do governo federal e fez sua preparação para a Olimpíada sem qualquer patrocínio pessoal.
Anderson Silva, o maior lutador de MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas) da atualidade e campeão do peso-médio do UFC, o principal campeonato mundial da modalidade, é garoto-propaganda de marcas como Nike, Burger King e Philips e vive com sua família dividido entre duas mansões, uma no Rio de Janeiro e outra na Califórnia.
As diferenças entre dois atletas de ponta de suas categorias reflete exatamente os mundos opostos vividos pelas modalidades.
"Hoje em dia o MMA no Brasil tomou a posse do boxe através do público, através do financeiro, através até da personalidade do atleta. Dá mais ânimo você olhar um cara do MMA fazendo aquele esporte do que você olhar para o boxe", disse Everton em entrevista à Reuters em Londres, onde espera conquistar uma medalha para finalmente obter patrocínio e comprar uma casa para a mãe.
"Com certeza faz bastante falta uma exposição maior do boxe. Me alegra quando eu chego na minha cidade e alguém me reconhece diz que é meu fã, isso que me dá motivação para continuar", afirmou o baiano, de 23 anos, nascido em Salvador e que atualmente vive em São Paulo.
"Poderia ter mais atleta lutando boxe no Brasil, mas o MMA tira muita gente do boxe", acrescentou.
Everton, que já teve que trabalhar como lavador de carros e empacotador de supermercado para custear os treinos, conquistou o inédito título de campeão mundial para o Brasil no ano passado, em Baku, no Azerbaijão.
A vitória o credenciou com um dos favoritos ao ouro na Olimpíada de Londres. Desde o bronze conquistado por Servílio de Oliveira no Jogos da Cidade do México, em 1968, o Brasil nunca mais voltou ao pódio no boxe em uma Olimpíada.
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