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Mulheres respondam por pouco mais da metade dos recursos destinados ao consumo
São Paulo – Foi-se o tempo em que as mulheres eram tidas apenas como consumidoras restritas a itens óbvios como batons, perfumes e bolsas. Mais preparadas e inseridas no mercado de trabalho, elas tem sido o grande objeto de estudo e de conquista de empresas de ramos tão díspares quanto construção civil, carros e saúde. Isso explica por que muitas empresas têm adaptado seus negócios para atendê-las de forma certeira.
A explicação não está apenas no aumento de renda das brasileiras, mas também no poder de influência que elas exercem sobre seus pares. Estima-se que as mulheres respondam por pouco mais da metade dos quase 2 trilhões de reais destinados ao consumo – seja por consumo consumo direto ou por influência delas nas decisões. Ou seja, a opinião das mães, esposas, namoradas, amigas, irmãs, vizinhas... conta ( e muito) para os homens no momento em que eles vão decidir o que consumir.
“Mulherização”
A construtora Tecnisa não demorou muito para perceber quanto a opinião feminina era importante na hora das pessoas comprarem um apartamento. Desde 2003 a empresa criou uma área de “mulherização” para adequar alguns de seus serviços às exigências femininas. “De lá pra cá, aumentamos o nosso quadro de projetistas e engenheiras mulheres para podermos nos ater a detalhes que antes passavam despercebidos”, afirma Romeo Busarello, diretor de marketing da empresa.
As mudanças apontadas pela iniciativa foram muitas e vão de pequenos mimos de comunicação a ações mais práticas em termos de concepção de produtos. O projeto, por exemplo, passou a levar em conta a altura média de brasileiros e brasileiras. “Com isso, a altura da pia e algumas outras disposições do imóvel foram alteradas para atender a todos”, diz o diretor. O cuidado com a limpeza na entrega do apartamento e até na sinalização do avanço da construção do imóvel por meio de caixas também foram inseridos. “Mulheres adoram caixas”, diz ele.
Busarello conta que as ações tem dado certo, mas pesquisas mostram que outras muitas melhorias ainda podem ser feitas. Unidades que serão entregues em 2013 incluem, por exemplo, espaço para um salão de beleza.
Estudos para aperfeiçoar a maneira de analisar crédito para mulheres também estão sendo feitas na Tecnisa, desde 2011, depois que a companhia constatou que as consumidoras tinham um histórico pequeno de inadimplência. “Outro estudo avalia a possibilidade de oferecer um serviço de marido de aluguel para reparos do imóvel por seis meses com objetivo de conquistar esse público”, afirma Romeo.
Pilotos de saia
O mercado de motos, historicamente voltado para homens, também teve de pilotar em outra direção nos últimos anos. Atualmente, o setor estima que uma a cada quatro motocicletas vendidas no país é comprada por mulheres entre 21 a 30 anos. Realidade que fez com que a indústria buscasse formas de captar – e cativar – melhor seus produtos ao gosto feminino.
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