Marketing direto também está na web

Daniel Morel, ceo da Wunderman, analisa o conceito "Digital is direct"

São Paulo – Sem grandes conquistas em Leões, a Wunderman teve uma importante marca para comemorar durante o 57º Festival de Cannes. Foi na semana do evento, mais precisamente em 22 de junho, que Lester Wunderman, um dos pais do marketing direto e fundador da agência global que leva seu nome desde 1958, completou sua nona década de vida. Hoje a operação mundial é comandada por Daniel Morel, CEO e chairman da Wunderman, mas o próprio garante: “Lester continua firme e ativo na empresa. Há semanas em que ele aparece todos os dias no escritório”, contou.

Morel é um dos responsáveis por colocar em prática o conceito mundial da empresa, “Digital is direct”, e por garanti-la como agência global de marketing de relacionamento da Microsoft, um de seus principais clientes – ao lado de contas como Ford, Nokia, Dell, Burger King, Diageo, Citibank e Telefônica. “Atualmente nossos clientes são, na maioria, digitais. Mas hoje o digital e o marketing direto se confundem. Toda a web é sobre coletar dados e relacionamento. Web interactive também é marketing direto”, explicou.

Integrante do WPP, a Wunderman se beneficia da parceria com algumas das principais agências mundiais, como Y&R, JWT e Ogilvy, no atendimento de grandes contas. Porém, garante que mantém um ótimo relacionamento com agências externas – como no caso de Burger King, atendido pela Crispin Porter + Bogusky – e que, assim como no Brasil, a principal prática para a conquista de clientes ainda é a concorrência. “Temos um sistema integrado no WPP que facilita o atendimento de diferentes disciplinas e agências para o mesmo cliente, como em nosso trabalho com a JWT para Nokia, por exemplo. Outro ponto positivo é que muitos clientes entregam suas contas para as redes, não exatamente para agências específicas, o que nos habilita como agência digital e de marketing direto para grandes anunciantes. Mas na maioria dos casos ainda conquistamos novas contas por meio de concorrência”.

Analisando o resultado brasileiro em Direct, onde dos seis Leões conquistados, cinco foram para as chamadas “full agencys” (dois para Ogilvy, dois para a DM9DDB e um para a Loducca.MPM) e apenas um para uma especializada, a Sun/MRM, Morel destacou que a prática é comum, mas não preocupante para seu negócio. “Grandes agências têm hoje pessoal capacitado para a realização de qualquer tipo de trabalho, mas os grandes clientes ainda procuram agências especializadas”.

Mas se há anunciantes que procuram as multidisciplinares, a crise ajudou a mostrar, segundo o executivo, que a recíproca também é verdadeira. O problema europeu, que afetou o mercado globalmente, acabou sendo benéfico para a Wunderman. “O que os clientes não querem é desorganização e, em tempo de crise, também procuram focar suas verbas em um único parceiro ou projeto. Durante o último ano, muitos de nossos clientes deixaram toda sua comunicação nas nossas mãos”, disse. Os bons resultados se estendem também para 2010, na previsão do ceo. “De acordo com o Advertising Age’s Agency Report, nossa rede teve rendimento de US$ 828 milhões ano passado. Este ano estamos investindo mais e trabalhando mais, o que pode nos levar para perto de US$ 1 bilhão”, apontou.

O Brasil aparece, na opinião de Morel, como referência entre os mais de 130 escritórios da Wunderman em 55 países, que empregam aproximadamente sete mil profissionais. “Acredito que a operação brasileira está entre o top 5, atrás apenas de mercados-chave como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Ela é uma inspiração global em muitos pontos, especialmente na parte criativa”, concluiu.

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