Coca-Cola continua investindo em sustentabilidade

Plano da empresa combinar crescimento econômico e geração de empregos à redução de impactos no ambiente

São Paulo – Marco Simões, que comanda a área de sustentabilidade da Coca-Cola, fala nesta entrevista sobre os planos da empresa de investir em soluções que combinam crescimento econômico e geração de empregos à redução cada vez mais significativa dos seus impactos negativos no meio ambiente. Não é uma missão simples.  Mas ele garante que a empresa chegará lá.

O que é ser uma empresa plenamente sustentável?

Marco Simões – Ser sustentável é combinar crescimento econômico com desenvolvimento social e proteção ambiental. É continuar crescendo, gerando empregos e produzindo, com relevância econômica e social crescente, ao mesmo tempo em que se investe em soluções que não apenas diminuam seus impactos negativos como promovam a melhoria do meio ambiente.

Quando você acredita que a Coca-Cola poderá afirmar ser uma empresa, de fato, sustentável?

Marco Simões – Este é um caminho sem fim, que sempre exige esforços, investimentos e vontade. Hoje, em função das mudanças climáticas, do crescimento acelerado do País, da urbanização, nos encontramos em uma nova equação, que exige mudanças significativas na forma de pensar o futuro. Não basta discutir “o que”, temos de atrelar nosso planejamento ao “como”. Estamos trilhando o caminho e vamos acelerar ainda mais nosso passo, assegurando o crescimento sustentável sob todos os aspectos. Nossa perspectiva, de qualquer forma, é a de que antes de comunicar, é importante fazer.

Qual é a prioridade da empresa neste momento no quesito sustentabilidade?

Marco Simões – Temos sete fluxos de trabalho debaixo de nossa plataforma de sustentabilidade Viva Positivamente: água, embalagens sustentáveis, benefícios das bebidas, vida saudável, comunidade, ambiente de trabalho e energia e clima. A sustentabilidade é o centro da nossa estratégia empresarial. Todo nosso planejamento é baseado hoje no conceito de crescer de forma sustentável.

Por que o Relatório de Sustentabilidade 2009 é o primeiro relatório “oficial” da empresa?

Marco Simões – Esta foi uma brincadeira que fiz no lançamento do relatório, pois há alguns anos estamos experimentando diferentes modelos. Em 2007, usamos a ferramenta do Ethos para entender onde estávamos e isso se refletiu no relatório aquele ano. Desde então, nos preparamos para publicar um relatório realmente transparente e comparável. O documento, no formato GRI – Global Reporting Initiative -, permite que possamos ser comparados a milhares de outras empresas, de qualquer lugar do mundo, ao mesmo tempo em que conserva nossas características específicas, através dos sete focos de Viva Positivamente.
 


Como a Coca-Cola quer chegar a 100% de embalagens recicladas?

Marco Simões – Só vamos chegar lá com a participação da sociedade, um trabalho incansável de desenvolvimento de embalagens “inteligentes” e muito investimento na coleta seletiva, que se reflete na qualidade do trabalho das cooperativas de reciclagem. Com relação a este último item, na década de 90 lançamos o programa “Reciclou, Ganhou”, que já trabalhava com uma visão contemporânea de reciclagem, que buscava educar a população ao mesmo tempo em que incentivava as cooperativas. Hoje, a Coca-Cola Brasil apoia mais de 130 cooperativas em todo o País. Nos últimos anos, as embalagens PET reduziram seu peso entre 8% e 26%, dependendo do tamanho. As embalagens de vidro e de alumínio também tiveram seus pesos reduzidos em pelo menos 10%. Outro exemplo é a minitampa para garrafas PET, menores que a do padrão tradicional, diminuindo ainda mais o consumo da resina derivada de petróleo. No início deste ano, lançamos uma embalagem PET revolucionária, na qual até 30% do material provém do etanol de cana-de-açúcar, e não do petróleo, a PlantBottle. Por fim, temos a questão da reeducação da sociedade, que vai desde a coleta seletiva residencial até o fim dos lixões. O Brasil tem uma grande oportunidade dada pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionado no começo de agosto. Esta lei cria uma noção de responsabilidade compartilhada, em que toda a cadeia produtiva, governos e sociedade terão de fazer sua parte para destinar os resíduos para atividades nobres e nunca para a tragédia social e ecológica que os lixões representam.

Qual o projeto para chegar à neutralidade em água?

Marco Simões – Acreditamos que chegaremos à neutralidade em água combinando os três “Rs” da nossa política mundial para recursos hídricos: Reduzir a água usada na produção de bebidas; Reciclar a água do processo; e Repor a água usada por nós para as comunidades e a natureza. Hoje usamos em média menos de um terço da água necessária para produzir nossas bebidas do que no começo dos anos 90. Atualmente, por exemplo, 15 fabricantes e a sede da empresa no Rio de Janeiro utilizam o sistema de captação de água da chuva, inclusive como fonte bruta no processo industrial, o que representa até 17% do consumo em algumas delas, diminuindo a necessidade de fornecimento da rede pública. O Programa Água das Florestas, desenvolvido pelo Instituto Coca-Cola Brasil a partir de 2007, é um exemplo de como se pode “repor” água na natureza. Ele se dedica à recuperação de bacias hidrográficas com o reflorestamento de suas matas ciliares e foi reconhecido pelo Clinton Global Initiative, um dos mais importantes fóruns internacionais para o desenvolvimento sustentável.

Qual é o papel do marketing no projeto de sustentabilidade da companhia?

Marco Simões – A comunicação também é parte integrante do nosso modelo de sustentabilidade no sequenciamento de ser, fazer e falar de Viva Positivamente. Hoje, a Coca-Cola Brasil vê o negócio pela lente da sustentabilidade e, portanto, esta visão na comunicação também é prioridade. Desde 2004, toda a nossa comunicação institucional aborda apenas questões ligadas à sustentabilidade. Mesmo ainda sendo tímidos na apresentação deste tema, nossos consumidores já nos ligam às questões cruciais da empresa, como água e reciclagem. Também criamos uma série de orientações para comunicação de sustentabilidade, que vão desde a diversidade necessária para personagens de comerciais até o uso de materiais de ponto-de-venda, sempre feitos com materiais reciclados. Ou seja, nossa empresa e nossas marcas estão sob o mesmo guarda-chuva de Viva Positivamente.

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