Cientistas revelam como criar slogans memoráveis

Com falas de filmes retiradas do IMDb, pesquisadores de Ciência da Computação da Universidade Cornell dizem ter descoberto a fórmula para criar frases de impacto

São Paulo – Com uma lista de citações do IMDb, famoso site com informações técnicas sobre filmes na internet, um grupo de cientistas da computação da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, acredita ter criado um método para entender como frases são eternizadas em slogans de publicidade.

Na pesquisa, os cientistas analisaram frases retiradas diretamente de cerca de 1000 filmes no IMDb. Com esses dados, eles identificaram que frases com pronomes pessoais (eu ou você, aqui usado como tu) e artigos indefinidos são mais memoráveis porque trazem uma noção de proximidade durante a fala. Verbos no passado funcionam para identificar eventos específicos, enquanto verbos no presente são bons para traduzir conceitos mais gerais.

O levantamento separa dois tipos diferentes de citações: frases com mudanças de sentido ou mudanças sonoras; e frases que trazem ideias mais genéricas. A frase “meio milhão de dólares podem ser perdidos”, de Jackie Brown, dá uma noção de quebra, de contradição. Já a frase “há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante”, de Star Wars, traz uma ideia genérica, que pode ser lembrada em outras situações.

A pesquisa chega até a analisar como elas se transformam em memes na internet e são difundidas no Twitter.

O estudo explica, por exemplo, porque personagens de filmes com sotaque ou falas engraçadas são mais lembrados, principalmente se as frases podem ser utilizadas em outro contexto. Por outro lado, personagens como os do diretor George Lucas são ótimos para emplacar slogans com significados mais abertos, abrangentes

A pesquisa não usa discursos de pessoas famosas, como Steve Jobs ou o primeiro-ministro Winston Churchill. Cristian Danescu-Niculescu-Mizil, Justin Cheng, Jon Kleinberg e Lillian Lee deram preferência para frases mais famosas da cultura pop, como a saga Star Trek.