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São Paulo – Nos Estados Unidos, o culto aos empresários é tão forte quanto ao de celebridades do mundo dos esportes e das artes. Afinal, Warren Buffett, Bill Gates, Steve Jobs e companhia personificam a cultura empreendedora tipicamente americana. No Brasil, são raros os empresários que alcançam uma fama parecida. Abilio Diniz é um dos poucos privilegiados.
Suas tacadas de sucesso transformaram o Pão de Açúcar em um gigante de varejo brasileiro. Outras não escaparam de um certo enrosco. A tentativa de união com o Carrefour, a complicada negociação com a rede carioca Sendas, as desavenças com a família Klein após a fusão com as Casas Bahia e, mais recentemente, o pedido de arbitragem pela compra do Ponto Frio são algumas das operações que fazem parte dessa lista.
Hoje, o empresário está prestes a perder o controle do grupo fundado por seu pai para o francês Casino. Embora com menos poder - e com alguns episódios controversos no currículo -, Abilio ainda deverá conservar, por algum tempo, sua popularidade entre a gente comum, que o vê como um trabalhador incansável, amante dos esportes, alguém preocupado com valores e com a qualidade de vida dentro da sua companhia.
Veja os pontos que explicam por que Abilio tornou-se um legítimo representante do lado mais pop do capitalismo brasileiro (e o que isso revela sobre como os empresários são vistos por aqui):
Herdeiro que faz
Histórias de quem venceu na vida têm sua dose de apelo. E a trajetória do Pão de Açúcar é carregada dessas reviravoltas. A rede nasceu como uma doceria em São Paulo, criada pelo imigrante português Valentim dos Santos Diniz em 1948. Depois de inaugurar duas filiais, Seu Santos, como era conhecido, resolveu apostar no modelo de auto-atendimento que fazia sucesso nos Estados Unidos, abrindo seu primeiro supermercado no fim dos anos 50.
O negócio deu certo. A tormenta chegaria duas décadas depois. O primeiro imbróglio foi familiar. O fundador distribuiu ações a seus filhos em 88. O primogênito Abilio ficou com a maior fatia, e seus irmãos, insatisfeitos, resolveram brigar por um novo rearranjo. A contenda só terminou no fim de 93. Abilio assumiu a presidência e tornou-se dono de 51% das ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA). Quatro dos outros cinco filhos venderam suas participações nesse meio tempo. Com dois deles, Abilio passou anos sem conversar.
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