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Naouri: até ontem, a posição de chairman da Wilkes era ocupada por Abilio Diniz
São Paulo - O presidente-executivo e do conselho do Casino, Jean-Charles Naouri, foi eleito em assembleia geral extraordinária nesta sexta-feira como novo chairman da Wilkes, holding controladora do Grupo Pão de Açúcar, marcando mais um passo na trajetória para se tornar o sócio majoritário da maior varejista brasileira.
Até a véspera, a posição de chairman da Wilkes era ocupada por Abilio Diniz -que compartilha o comando da Wilkes com o Casino. Atual presidente do conselho do Pão de Açúcar, Diniz terá a opção de manter o cargo, conforme acordo de acionistas firmado em 2006, o que será votado em assembleia na tarde desta sexta-feira.
O grupo francês, entretanto, não assumirá a controladora do Pão de Açúcar de forma majoritária imediatamente. Pelo acordo, Diniz terá 60 dias para vender 2 por cento das ações que possui ao Casino, ficando com 48 por cento de participação na companhia.
Caso o empresário não se posicione até 22 de agosto, o Casino exercerá a opção de compra de uma ação ordinária da Wilkes, passando a ser o sócio majoritário do grupo.
Embora a troca de cadeiras já fosse prevista no acordo, a sociedade teve suas bases abaladas há cerca de um ano, quando Diniz tentou unir no Brasil o Pão de Açúcar às operações do Carrefour -arquirrival do Casino na França-, pisando no calo de Naouri.
O empresário francês chegou a abrir dois pedidos de arbitragem na Câmara Internacional de Comércio contra Diniz, classificando a tentativa de fusão como "uma transação hostil, resultado de negociações ilegais".
Diniz, por sua vez, sempre manteve a posição de que as negociações com o Carrefour não infringiram tal acordo.
A partir daí, o Casino apertou os passos rumo à tomada de controle do Pão de Açúcar, deixando claro não estar propenso a muitas negociações. Hoje, o Brasil é o principal mercado para o Casino depois da França, em meio à estratégia de crescer em países emergentes enquanto seu mercado doméstico é parte do cenário de crise econômica na Europa.
No final de julho de 2011, a varejista francesa informou que exerceria a opção para assumir o controle do Grupo Pão de Açúcar. Depois, pouco a pouco, passou a aumentar sua participação na empresa brasileira por meio da compra de ações preferenciais.
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