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Não adianta fazer cara de mau: gestor deve ser o primeiro a cumprir a estratégia
São Paulo – A distância entre o que os gestores pregam e o que fazem no dia-a-dia é um dos principais motivos do fracasso das empresas em cumprir, de fato, sua estratégia de longo prazo. A conclusão é de um estudo da Fundação Dom Cabral com 331 profissionais de cinco grandes companhias brasileiras.
“As pessoas seguem o comportamento dos gestores”, afirma Aldemir Drummond, coordenador do programa Estratégia e Execução e coordenador do Núcleo de Estratégia e Mercados Emergentes da Dom Cabral. “Se há divergência entre o que o gestor diz e o que pratica, a equipe seguirá o que ele pratica.”
O estudo da Dom Cabral aborda as principais dificuldades das empresas, na hora de implementar suas estratégias – aquelas que ficam perfeitas no powerpoint (e, frequentemente, apenas nele).
Para 41% dos entrevistados, o que mais atrapalha a implantação de estratégias é a divergência de interesses dos gestores, seja entre eles mesmos, seja em relação aos planos traçados. A percepção dessa discordância abrange desde a cúpula da companhia, até os níveis intermediários.
Seguindo de perto, 40,9% afirmaram que outra dificuldade é a coordenação dos processos e a interação entre pessoas e departamentos para implantar as estratégias. Já o terceiro item mais citado, com 37,9%, é a falta de recursos para levar as ideias adiante.
Paradoxo temporal
Aí vai uma expressão geek: a raiz do problema é um paradoxo temporal – as estratégias são sempre de longo prazo, mas a pressão por resultados é de curto prazo. Essa lacuna entre o que a empresa quer para o futuro, e o que exige no presente, é que leva os gestores a essa dislexia corporativa.
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