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Gestão | 22/06/2012 06:00

A marca dos gurus de Abilio Diniz na gestão do Pão de Açúcar

Veja como as teorias de Raj Sisodia e Jim Collins permeiam o modo como os negócios da maior varejista do Brasil são tocados

Divulgação

Raj Sisodia (à esquerda) e Jim Collins: gurus de negócios de Abilio DIniz

Raj Sisodia (à esquerda) e Jim Collins: as semelhanças entre os gurus de Abilio Diniz vão além da mesma pose para tirar foto

São Paulo - Um é da Índia, outro é dos Estados Unidos. Mas Raj Sisodia e Jim Collins compartilham mais do que o status de gurus no mundo dos negócios. Ambos propõem sugestões para transformar uma empresa comum em uma companhia com valores e bons resultados, bem quista pelos acionistas mas também por legiões de consumidores. Para além disso, os livros escritos por esses  dois autores também estão na cabeceira de Abilio Diniz, o nome mais conhecido por trás do Grupo Pão de Açúcar, líder do varejo brasileiro. 

Vamos ao que ensinam. Collins é consultor de empresários de peso, como o brasileiro Jorge Paulo Lemann, da AB Inbev, e autor de best sellers como "Empresas feitas para vencer" e "Como as gigantes caem". Das páginas destes livros, pulam características que, na opinião do guru, fariam algumas empresas manter um crescimento contínuo, passando incólumes por tormentas financeiras e momentos de caos na economia. 

Segundo Jim, muitas empresas são consideradas boas. Mas pouquíssimas são taxadas como excelentes. Ele advoga que a transição de uma categoria para outra requer a existência de uma forte cultura corporativa, hábito de reflexão por parte dos gestores, além de muito foco. Antes de pensar em si mesmo, o líder deve colocar a companhia e as pessoas em primeiro lugar. Para ele, os melhores CEOs combinariam humildade pessoal e profissional. E isso viria antes de currículos estrelados ou da adoção de tecnologias de ponta na empresa. 

Uma das suas analogias mais famosas para explicar a importância do comprometimento com um crescimento duradouro remonta a história de exploradores que competiam para chegar ao pólo sul, em 1911. Roald Amundsen estabeleceu uma meta de percorrer 32 quilômetros por dia, cumpridos com disciplina pela sua equipe. Robert Scott incentivou que os seus apressassem o passo para que pudessem chegar primeiro. No fim, a expedição de Amundsen foi pioneira em atingir o objetivo. A de Scott morreu no meio do caminho. 

Com paixão por escaladas, o ex-professor de Stanford caiu no gosto de Abilio Diniz, também obcecado pelos esportes com suas corridas de longa distância. Em 2010, 11 executivos seniores do Pão de Açúcar participaram de um workshop de dois dias com Collins no centro de pesquisas comandado pelo especialista em Colorado, nos Estados Unidos. 

Na época, um dos maiores conselhos de Jim foi que a empresa se certificasse que contava com as pessoas certas nos cargos-chave. O Pão de Açúcar levou a tarefa a sério. Depois de uma profunda reavaliação, uma verdadeira dança das cadeiras foi colocada em prática. O objetivo? Valorizar os valores e a personalidade dos executivos de alto escalão, realocando-os em áreas nas quais pudessem execer mais do que suas habilidades técnicas.

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