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Gestão | 13/07/2012 07:00

A lição da Microsoft: brigue só com quem não é da empresa

Microsoft se deu mal ao incentivar os funcionários a concorrer entre si e se esquecerem do principal: o mercado

Getty Images

Steve Ballmer, CEO da Microsoft, em apresentação do Windows em Las Vegas, em 2012

Steve Ballmer, CEO da Microsoft, em apresentação da empresa: funcionários apontam ranking por desempenho como um dos culpados pela falta de inovação

São Paulo – “Década perdida da Microsoft”. Para o escritor americano Kurt Eichenwald, a expressão descreve o caminho trilhado pela gigante de tecnologia. Até os anos 90, o sistema operacional Windows e o pacote Office, ambos desenvolvidos pela empresa, eram quase onipresentes nos computadores familiares e corporativos. O tempo passou e as plataformas avançaram. Hoje, o iPhone gera mais receita para a Apple do que todos os produtos da Microsoft juntos.

Há uma razão específica para a derrocada? Na visão de muitos empregados da empresa, sim. Pelo menos é o que escreveu Eichenwald para a edição de agosto da revista americana Vanity Fair, depois de entrevistar uma série de colaboradores da Microsoft. Em coro, eles apontaram a adoção de um modelo de classificação dos funcionários chamado de "stack ranking" - algo como "ranking do empilhamento" - como um dos responsáveis por minar a criatividade da companhia ao longo dos anos.

Na prática, os gestores da Microsoft são obrigados a classificar seus empregados em diversas categorias, que contam com cotas fixas para os que serão considerados excelentes, regulares ou ruins. "Se você estivesse em um time com 10 pessoas, entraria sabendo que, independente de quão bons todos fossem, dois iriam receber uma ótima avaliação, sete iriam ter uma avaliação medíocre e um ganharia uma avaliação terrível", afirmou um ex-desenvolvedor da companhia. "Isso acaba levando os funcionários a darem foco à competição uns com os outros, ao invés de darem atenção à competição com outras empresas", completou.

Cada um por si

De acordo com a matéria da Vanity Fair, outros empregados sustentaram que o bom relacionamento com a chefia acabava contando, e muito, para a nota recebida no ranking. No fim das contas, o incentivo à inovação também seria deixado em segundo plano na busca por projetos que garantissem retornos financeiros certeiros, já que estes contavam com a aprovação imediata dos gestores.

Mas afinal, vale a pena fazer com que os funcionários concorram entre si para promover o crescimento da empresa? Para Agnelson Correali, especialista em RH e sócio da DCR Consultores, quanto mais dependente for o negócio de características intangíveis, mais arriscada é a estratégia. 

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