Yamandu Costa lança disco solo gravado na Alemanha

Material novo foi gravado em 2007, lançado em 2008 na Europa e só agora chega ao Brasil

São Paulo – Se os versos “se a morte é um descanso/ Meu bem, eu prefiro viver é cansado”, escritos em 1996 pelos craques Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro e Zé Trambique em homenagem ao grande Mestre Marçal, fossem interpretados como metáfora de uma incansável efervescência artística eles se encaixariam perfeitamente ao perfil de Yamandu Costa.

Aos 31 anos, o compositor e violonista gaúcho parece não ter tempo a perder e acaba de lançar o 12.º disco de sua carreira. Além disso, Yamandu tem mais quatro álbuns prontos na gaveta, com diferentes formações – esperando pacientemente para não serem encavalados no mercado -, e o projeto de mais um, que deve ser gravado em 2012 com o título de “Sabores”, registrando a sonoridade de gêneros da América Latina.

Ninguém tem culpa de Yamandu ser uma usina sonora de criatividade e de ser o violonista de 7 cordas mais impressionante a surgir depois de Raphael Rabello (1962-1995). E o novo trabalho, batizado de “Mafuá” (Biscoito Fino), com dez temas próprios, atesta mais uma vez que já está mais do que na hora de Yamandu ser encarado como um grande compositor e não apenas como um exímio instrumentista.

O disco, que foi gravado em 2007 na Alemanha e lançado em 2008 apenas no mercado europeu, chega finalmente ao Brasil e registra o primeiro álbum solo de Yamandu. O CD foi gravado e produzido pelo violonista alemão Peter Finger que, em 2005 viu o brasileiro se apresentar em um festival no sul da Alemanha e ficou impressionado. No repertório, pelo menos duas composições já eram conhecidas por aqui. “El Branco Del Negro” havia sido gravada em belíssimo duo com o saudoso mestre do clarinete Paulo Moura em 2004. O outro tema já conhecido do público é “Samba pro Rapha”, composto em homenagem mais do que justa a Raphael Rabello.

As outras oito composições do violonista não são menos dignas de nota. “Elodie” foi feita por Yamandu quando ele conheceu sua esposa em Paris e não à toa leva o nome da mulher. “Zamba Tuerta” tem o caráter fronteriço e as influências argentinas. “Bachbaridade” nasceu de um encontro com os também violonistas Fabio Zanon e o Duo Assad, sendo inspirada “naquele clima clássico, mas chega ao sul, com cara de Piazzolla”. “Bostemporânea” é uma tiração de sarro com o tipo de música contemporânea feito na época. “Choro Loco” tem registro “pretensioso e truncado”, segundo o próprio compositor referindo-se ao fato de a composição estar completamente fora dos padrões do choro. E ainda tem a dolente “Ressaca”, “Caminho de Luz” e “Tipo Bicho”, que fecha o álbum com chave de ouro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.