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A paisagem urbana de Recife é cortada por rios e pontes e adornada por fortes e igrejas que revelam a mistura dos domínios português e holandês no século 17
São Paulo - O verão está bombando e brasileiros, brasileiras e gringos estão de malas prontas para passar dias felizes no Nordeste brasileiro. Na mira de muitos está Porto de Galinhas, a queridinha das agências e dos leitores da VT. A vontade de curtir as piscinas naturais em Carneiros e Muro Alto é tanta que muitos ignoram completamente a dupla Recife-Olinda. Sacrilégio! Reserve pelo menos dois dias para curtir a cultura, o patrimônio e os bolos de rolo daqui. Se puder ficar mais, aproveite, você não se arrependerá!
Dia 1
Ah, que sol maravilhoso! Tomar o café-da-manhã de frente para a praia de Boa Viagem dá uma vontade louca de cair na água. Mas, por enquanto, não é hoje que o tubarão vai morder seu pé, pois vamos rapidinho para o bairro de Santo Antônio, no centro. Comece pela Casa da Cultura, um antigo presídio cujas celas hoje abrigam lojinhas variadas. Há de tudo: xilogravuras, cachaças tentadoras, belos bordados, edições antigas de Gilberto Freyre. É uma tentação! De sacolas cheias siga para o Pátio de São Pedro, um pouco de calmaria no calor da cidade. Sob a sombra da catedral de São Pedro dos Clérigos estão dois bem montados museus-memorias de ícones da música local: Luiz Gonzaga e Chico Science. De Asa Branca ao mangue-beat, são duas trajetórias fascinantes. Destaque para algumas fotos da juventude de Gonzagão, quando ele estava mais para Michel Teló do que para Rei do Baião. Caminhe então ao longo do rio Capibaribe, veja as coloridas casinhas da rua Aurora e visite a Capela Dourada, “a” igreja imperdível em Recife.
É hora de fazer uma pausa para o almoço: escolha entre o variado La Douane, no Shopping Paço Alfândega, cheio de muita gente bonita, ou o mitológico Leite e seu monumental bacalhau.
Agora é hora de conhecer o Recife Antigo. O casario colonial e as ruas de paralelepípedos imprimem uma atmosfera quase que interiorana, bucólica, em certos pontos. O Marco Zero, que explode em êxtase no Carnaval, fora deste período é calmo, cercado por antigos edifícios neoclássicos. Do legado do conde holandês Maurício de Nassau também pouco se nota. Alguns de seus passos mais visíveis estão no pragmatismo com o qual recebeu judeus perseguidos pela feroz Inquisição ibérica. A sinagoga Kahal Zur Israel conta um pouco desse percurso que inclui a reconquista da cidade pelos portugueses e a migração de parte da comunidade para Nova York.
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