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TV aberta | 04/12/2011 13:42

Os bastidores da separação, só profissional, de Fátima e Bonner

William Bonner chorou e a Globo resistiu à ideia, mas Fátima Bernardes bateu o pé: terá um programa matinal próprio

João Batista Júnior, de
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Divulgação/TV Globo

Bancada do Jornal Nacional

Fátima deixa o posto que assumiu em 1998

Rio de Janeiro - "Como chefe, eu não podia concordar. Como marido, não tinha alternativa a não ser apoiá-la”, assim William Bonner descreve o momento em que cedeu, pela primeira vez, à decisão da mulher, Fátima Bernardes, de desmanchar a dupla mais conhecida do telejornalismo do Brasil.

Foi no dia 1º de janeiro deste ano que a firmeza de propósito de Fátima, que cogitava fazer um programa próprio desde 2007, venceu a resistência de Bonner.

Depois de tocar o projeto em segredo, temendo até que as felicitações pelo desempenho do Vasco, seu time, na verdade se referissem ao futuro programa, Fátima percebeu, em conjunto com a cúpula do Jornal Nacional, que não dava mais para manter o sigilo.

Sorridente, com os cabelos impecáveis — e intocáveis, como se viu pela reação do público quando ela fez alisamento japonês —, ela anunciou a mudança na manhã de quinta-feira, ao lado de Bonner e de sua substituta, Patrícia Poeta, que troca o banquinho do Fantástico pela responsabilidade maior ainda da bancada do Jornal Nacional.

Com o mesmo sorriso, mas atitude bem mais resguardada, Fátima nem cogita entrar em detalhes sobre as especulações de que o casal estaria se separando também na vida real ou de que os catorze meses de idade a mais que o marido começariam a pesar. “Todos sabem que estou radiante. Não existe luto”, diz. 

Mudar para renovar é o nome do jogo de qualquer programa de televisão. O Jornal Nacional está no ar desde 1969, e Fátima e Bonner o apresentaram em conjunto durante treze anos e nove meses. Seguindo desejos detectados por pesquisas de opinião, Fátima e Bonner nos últimos anos imprimiram um ar cuidadosamente mais informal à apresentação das notícias.

Passaram a se olhar e conversar mais e a se dirigir aos telespectadores de maneira mais pessoal. Um novo instrumento de comunicação, o Twitter, aproximou  Bonner de uma faixa etária mais jovem. Até a cor das suas gravatas virou motivo de brincadeira em rede. Além de administrar a rotina dos trigêmeos — com 14 anos, em pleno início de adolescência —, Fátima começou a deslocar seu foco de interesse.

Queria fazer outro tipo de programa, menos noticioso e com pitadas de entretenimento, ao estilo dos matutinos da televisão americana. Em 2007, falou com a direção da Rede Globo, mas todos acharam que era cedo para uma mudança.

Dois anos depois, quando o jornal estava para completar quarenta anos, sugeriu que sua saída fosse anunciada. Ouviu do chefe Carlos Henrique Schroeder, hoje diretor-geral de jornalismo e esporte: “É motivo de festa e você vai querer sair, Fátima?”. 

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