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"É preciso respeitar também os interesses variados e múltiplos da criança, sua curiosidade em descobrir o mundo", disse a médica
São Paulo - Sabe-se que, ao nascer, a criança ainda não está totalmente desenvolvida. Embora já tenha certa autonomia, seus órgãos ainda são bastante imaturos e o amadurecimento dos mesmos ainda vai levar muitos anos. No processo educativo deve-se respeitar as fases de amadurecimento, tentando não sobrecarregar a criança com coisas que ela ainda não tem maturidade para realizar.
Assim, por exemplo, para poder aprender a ler e escrever, por volta dos sete anos de idade, ela precisa adquirir um perfeito domínio do espaço tridimensional. É nessa época que se estabelece a dominância de um dos hemisférios cerebrais, evidenciando a maturação do sistema nervoso central. Esta é adquirida principalmente por meio da motricidade. Isso significa que a criança deve ter as vivências do que é em cima e embaixo, frente e trás, direita e esquerda.
Mas, como se obtém isso? "Pelas próprias brincadeiras infantis, que são praticamente as mesmas em todas as regiões da Terra, onde ainda se permite que crianças brinquem. Quando elas correm, saltam, pulam altura ou distância, praticam as brincadeiras com bola e corda, ou treinam habilidades como pular num só pé e subir em árvores estão desenvolvendo a motricidade grossa. Quando desenham, recortam, colam, fazem pequenos trabalhos manuais, exercitam-se soltando pião, empinando pipas etc., desenvolvem a motricidade fina", afirma Sonia Setzer, médica escolar com formação em Medicina Antroposófica.
De acordo com a médica, o ‘brincar' na idade infantil é coisa séria, pois prepara o organismo para atividades a serem desenvolvidas futuramente. Se, ao contrário, a criança é estimulada precocemente a executar atividades físicas competitivas, que exijam muito treino, nota-se que o organismo se desenvolve de forma unilateral, endurecendo numa especialização, como por exemplo, numa determinada prática esportiva.
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