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Ele não dispensa os óculos escuros nem à noite. Curte acessórios como echarpes e boinas — e qualquer calça jeans lhe cai bem
São Paulo - À primeira vista, Brad Pitt me pareceu ser o filho que Robert Redford e James Dean nunca tiveram. Com Redford, seu diretor em Nada é para Sempre e parceiro em Jogo de Espiões, ele ficou até mais parecido fisicamente. E não resta dúvida que teria sido um James Dean bem mais próximo do original que James Franco (o escolhido para viver Dean num telefilme rodado em 2001), embora os 39 anos que Pitt já tinha na época infelizmente o impediriam de sequer ser cogitado para encarnar um ator morto aos 24 anos.
Faça as contas: Brad Pitt já é quase um cinquentão. Mas com um corpinho de… trinta?
Ele já passara dos quarenta quando se meteu onde não devia em Queime depois de Ler, sarado do pescoço aos tornozelos, para em seguida transmudar-se num macróbio (Benjamin Button) que não parava de rejuvenescer e num glorioso bastardo com vigor de adolescente. Sua atlética jovialidade só não é mais humilhante que seu sex-appeal, volta e meia canonizado em enquetes do tipo “o homem mais atraente do mundo” e vorazmente explorado pela publicidade de roupas e acessórios masculinos.
Até se casar com Angelina Jolie, ele era sempre a parte mais vistosa do casal. Jennifer Aniston, a primeira mrs. Pitt, e a namoradinha Juliette Lewis entregaram os pontos com a devida humildade; Gwyneth Paltrow, bem menos modesta, não. Na tela, que me desculpem os fãs incondicionais de Geena Davis, Julia Ormond e Cate Blanchett, tampouco deu empate.
Certas aficionadas da imperfeição, no entanto, persistem em esnobar o ator: “Bonitinho demais”. Para estas, ele não passa de um belo rosto, pura estampa, um modelo para anúncios e capas de revista, e estamos conversados. Mas desconfio que, no fundo, todas elas topariam dividir a mesma cama com ele — sobretudo se, de quebra, pudessem acordar no dia seguinte com a cara e os contornos da atual mrs. Brad Pitt.
Se Brad não se distingue pela elegância, sua pinta de rapaz da roça (nasceu em Oklahoma e foi criado no Missouri) que virou garotão urbano configura um estilo. Com aquela aparência de irmão caçula do homem de Marlboro, qualquer jeans lhe cai bem, mas a grife japonesa Edwin lhe paga uma fortuna para que finja só vestir os que ela fabrica. O resto fica por conta do momento: uma camiseta de mangas compridas, um blazer clássico, uma echarpe colorida, mocassins ou botas. Nada que não pareça natural, descontraído. Se metido num terno de três botões, o colarinho da camisa já sai de casa desabotoado e o laço da gravata afrouxado.
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