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Documentário | 13/12/2011 13:27

Eduardo Coutinho canta o seu novo filme

Cineasta diz que precisa interpretar para conseguir bons depoimentos nos documentários. Seu mais novo filme, “As Canções”, estreia neste mês

Nina Rahe, da

Zeca Guimarães / Divulgação

Eduardo Coutinho Canções

No novo trabalho do documentarista 18 pessoas cantam e contam as histórias das canções que marcaram suas vidas

São Paulo - Em 2009, no mês de lançamento do filme Moscou, o documentarista Eduardo Coutinho disse que se sentia como um “velho de fraldas”. O longa foi a experiência mais dolorosa de sua carreira. Nas três semanas em que acompanhou a montagem de uma peça do russo Anton Tchékhov – objeto do documentário –, ele não deixou de questionar o que estava fazendo ali.

Limitado a observar a direção teatral de Enrique Diaz e o trabalho de improvisação dos integrantes do Grupo Galpão, Coutinho quase não fez entrevistas, atividade que compara ao exercício de um ator. É assim, interpretando, construindo cumplicidade, que ele estabelece com o entrevistado uma relação de entrega. “Se não estou falando com a pessoa, nada me interessa”, disse. Passados dois anos e superados o que ele definiu como “oito meses no inferno”, Coutinho encontrou alívio em As Canções, que estreia neste mês e foi resultado de uma escolha regida pelo prazer.

Nesse trabalho, 18 pessoas cantam e contam as histórias das canções que marcaram sua vida. Já Coutinho reassume seu papel: o de entrevistador, ou seja, ator. E é dessa fase de felicidade, na qual tudo parece voltar ao lugar, que o documentarista fala a seguir.

Na época em que você lançou Moscou (2009), li entrevistas nas quais dizia que depois de Jogo de Cena (2007) não havia mais sentido voltar a fazer o tipo de documentário que realizava antes. Como decidiu por esse novo projeto?

Eduardo Coutinho - A verdade é que queria fazer um filme que seria demasiado intelectual, o oposto de As Canções. Mas, ao mesmo tempo, me perguntava se queria realizar esse trabalho, que era caro e complicado e teria centenas de atores. Quando se faz essa pergunta, é melhor não prosseguir.

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