São Paulo – Depois de acompanhar de longe os debates acalorados sobre as biografias não autorizadas, um nome de peso da MPB se manifestou e gerou mais constrangimentos nesta semana. Na última quarta-feira, Chico Buarque publicou um artigo no jornal “O Globo” em que se defendia das acusações de censor, por apoiar a restrição dessas obras.

No texto, ele afirmou que Paulo Cesar de Araújo, autor de "Roberto Carlos em detalhes" (livro de 2006 recolhido das livrarias a pedido do “rei” da música brasileira), mencionou em sua obra uma entrevista que Chico não teria dado ao escritor. Após a acusação de escrever o que não devia, Araújo revelou fotosvídeo e escreveu um texto em resposta replicados pela imprensa nacional.

Diante das provas, o cantor teve que assumir que foi traído pela memória (ou pela falta dela). Em novo texto divulgado pela assessoria de imprensa do músico, Chico Buarque se explicou e pediu desculpas pelo esquecimento. Ele afirmou que, por ter sido uma entrevista ocorrida em 1992, com quatro horas de duração, em que vários temas foram mencionados, seria difícil que ele se lembrasse de uma pergunta sobre sua relação com Roberto Carlos, na década de 60.

Sobre outro tema que gerou polêmica, ele manteve a posição anterior. No artigo publicado ontem, Chico havia dito que Araújo teria publicado uma declaração falsa sua no livro "Eu Não Sou Cachorro Não" (2002). A fala do cantor usada na obra foi originalmente publicada no jornal "Última Hora" nos anos 1970, mas o músico nega ter feito o comentário (que teria sido uma crítica à postura política de Caetano Veloso e Gilberto Gil, exilados na época) e critica o fato de o biógrafo não tê-lo procurado para confirmar se a informação era verdadeira.

Confira a seguir a nota na íntegra:

"Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo, biógrafo de Roberto Carlos. Agora fico sabendo que sim, dei-lhe uma entrevista em 1992. Pelo que ele diz, foi uma entrevista de quatro horas onde falamos sobre censura, interrogatórios, diversas fases e canções da minha carreira. Ainda segundo ele, uma das suas perguntas foi sobre a minha relação com Roberto Carlos nos anos 60. No meio de uma entrevista de quatro horas, vinte anos atrás, uma pergunta sobre Roberto Carlos talvez fosse pouco para me lembrar que contribuí para sua biografia. De qualquer modo, errei e por isto lhe peço desculpas.

Quanto à matéria da Última Hora, mantenho o que disse. Eu não falaria com a Última Hora de 1970, que era um jornal policial, supostamente ligado a esquadrões da morte. Eu não daria entrevista a um jornal desses, muito menos para criticar a postura política de Caetano e Gil, que estavam no exílio. Mas o biógrafo não hesitou em reproduzi-la em seu livro, sem se dar o trabalho de conferi-la comigo. Só se interessou em me ouvir a fim de divulgar o lançamento do seu livro. Não, Paulo Cesar Araújo, eu não falava com repórteres da Última Hora em 1970. Para sua informação, a entrevista que dei ao Mario Prata em 1974 foi para a Última Hora de Samuel Wainer, então diretor de redação, que evidentemente nada tinha a ver com a Última Hora de 1970, que você tem como fonte." 

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