San Sebastien - O irresistível carisma de dois grandes nomes de Hollywood, Richard Gere e Susan Sarandon, abre nessa sexta-feira o 60º Festival de Cinema de San Sebastián, com a exibição de "Arbitrage" ("A negociação"), um suspense sobre um magnata nova-iorquino com muitos segredos.

Gere interpreta o personagem Robert Miller, dono de uma companhia financeira que esconde de forma fradulenta as perdas ocasionadas por um mau investimento e para poder assim vender a empresa e se livrar do problema.

Mas ele tem mais a esconder: um romance com uma jovem galerista de arte francesa, interpretada por Laetitia Casta, e um homicídio involuntário que, se descoberto, irá acabar com toda a transação.

"Quando você interpreta um personagem como este, tem basicamente duas possibilidades, ou você constrói um persongem mau, com M maiúsculo, o que eu acho um clichê pouco interessante, ou interpreta como um ser humano, que foi a decisão que tomamos", declarou Gere após a exibição do suspense com um toque de humor que foi recebido com aplausos.

Navegando entre uma esposa leal e compreensiva, vivida por Susan Sarandon, e uma amante apaixonada e possessiva, Miller não perde em nenhum momento o poder sedutor adquirido ao longo de uma vida de sucesso que lhe rendeu a capa da revista Forbes.

Mesmo quando um inspetor de polícia atrevido, interpretado magistralmente por Tim Roth, decide acabar com ele e com tudo o que representa.

"Eu acho que foi muito importante encontrar o encanto do personagem, encontrar o Bill Clinton neste personagem, que acha uma maneira de superar todos os problemas e vencer no final", acrescenta Gere, para quem o filme é tanto sobre as finanças quanto sobre relacionamentos humanos.

"O filme todo é muito emocional", afirma.

No entanto, a crise financeira mundial teve um papel importante na concepção da história, afirma seu diretor, o americano Nicholas Jarecki, que concorre com este filme a Concha de Ouro de Melhor Filme.

"Comecei a escrever o roteiro em 2008-2009, durante a implosão da nossa economia nacional, logo depois do que aconteceu com a economia global", explica ele, reconhecendo que o personagem de Gere é inspirado em parte pelo bilionário americano, John Paulson, que construiu uma fortuna graças aos subprimes, os empréstimos imobiliários de alto risco.

O que move os grandes patrões das finanças "não é tanto uma questão de dinheiro (...), mas um jogo viciante de poder", diz Sarandon, cujo personagem revela a destruição familiar causada por uma ambição sem limites, apesar de desempenhar um papel secundário.

"Acredito que meu personagem foi escrito para servir o personagem de Richard e me alegra o fato da família ter sido incluída como parte da equação", acrescenta.

A cumplicidade entre os dois atores, que trabalharam juntos em "Shall We Dance?" (Dança comigo?, 2004), de Peter Chelsom, influenciou na química que transmitem para o cinema, diz Jarecki.

Ao reunir os dois para este projeto percebeu que "havia tanta fluidez entre eles que era como retomar um diálogo que já dura anos", assegura o cineasta, que fez sua estreia na ficção com "Arbitrage", que estreará nos Estados Unidos em 14 de setembro .

Gere e Sarandon, que já foram premiados em edições passadas do festival de San Sebastián com o prêmio Donostia pelo conjunto de suas carreiras, agora disputam a Concha de Prata de Melhor Ator e Atriz, felizes por permanecerem no centro das atenções após décadas de carreira.

"Esta é minha quinta década fazendo filmes e eu nunca pensei que algo assim poderia acontecer", reconhece Gere. "Eu ainda estou trabalhando e estou feliz", afirma Sarandon.

Em uma edição cheia de estrelas, o sábado será a vez de Ben Affleck, que atua e dirige o filme fora de competição "Argo", e Maribel Verdú, do filme "Branca de Neve", do espanhol Pablo Berger, em competição.

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