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Ao entrar na avenida, o espírito corintiano da Gaviões tomou conta de vez da ala
São Paulo - Participar de um desfile de escola de samba é muito mais do que percorrer o trajeto do sambódromo, acenando para o público, dançando e cantando o samba enredo. Na verdade, essa é a parte mais fácil. Difícil mesmo é o que vem antes e depois.
Na sexta-feira à noite, fui buscar a fantasia da Ala Vip 20 da Gaviões da Fiel, animado por sair na escola de samba que representa o meu time do coração, o Corinthians. Até que não era tão pesada: não deveria ter mais do que cinco quilos. Mas não é possível botar duas fantasias num carro pequeno, tal é o volume que ocupa.
No sábado, decidi ir direto para o sambódromo. O desfile estava marcado para as três da manhã e a concentração às duas. Prevenido, cheguei bem antes. Depois de percorrer a pé cerca de quatro quilômetros para chegar à concentração, carregando a fantasia na mão, ela já pesava muito mais do que cinco quilos. Depositei a fantasia no chão e fiquei à espera dos meus pares.
A concentração é uma torre de babel. George Lucas deve ter se inspirado nela para criar seu bar de extraterrestres do filme Guerra nas Estrelas. Além da diversidade das fantasias, não há a menor organização naquele grande espaço reservado à preparação das escolas de samba.
Mas é impressionante como tudo dá certo no meio daquele caos, que lembra alguma cena onírica de Fellini, o diretor de cinema italiano. Se as alas fossem batalhões de um exército, não daria tão certo. Uma hora antes do desfile, eu já estava integrado na minha ala, completamente vestido com todos os paramentos da minha fantasia.
Deu-se uma longa espera em que avançamos, lentamente, em direção à avenida. A hora de entrar não chegava nunca e a fantasia, a essas alturas, pesava mais de 15 quilos. Todos aguardavam em silêncio, uma certa tensão no ar, manifestada por sorrisos nervosos. O chefe da ala aparece e repassa todas as fantasias.
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