São Paulo – Não importa o quanto a pessoa durma, o cansaço é constante, tirando um pouco do brilho de tudo. Essa situação, que representa a rotina de grande parte dos trabalhadores de 9 às 18h (e, muitas vezes, às 19h, 20h e por aí vai), pode não ser tão normal como parece. O que muita gente pode chamar de preguiça, falta de energia ou, simplesmente, cansaço, pode ser a chamada Síndrome da Fadiga.

De acordo com o médico clínico e cardiologista Antonio Carlos Till, o esgotamento é apenas um dos sintomas da doença. Junto com ele, podem vir a piora do desempenho físico e mental, irritabilidade, problemas nos relacionamentos afetivos e no trabalho, sono, queda de cabelos e perda da memória e capacidade de raciocínio, que acometem o paciente por meses a fio.

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, não é apenas uma carga intensa de trabalho que pode ocasionar um quadro como esse. O gatilho para desencadear a fadiga, segundo o médico, varia de pessoa para pessoa, mas existem fatores que contribuem, tanto do ponto de vista físico quanto do psicológico. Uma das grandes causas do desenvolvimento desse problema atualmente é a questão da mobilidade urbana, segundo o médico.

“Hoje, as pessoas chegam no serviço depois de duas horas de trânsito, seja dentro de um ônibus, seja de um carro. Isso tem impacto direto na fadiga das pessoas, que é uma fadiga emocional também, além de física”, afirma. Somado ao estresse da locomoção, existe o peso do ambiente de trabalho, muitas vezes barulhento, quente e sujo, causas que fazem diferença na qualidade de vida do trabalhador. Por fim, os aspectos psicológicos, que englobam as dificuldades familiares, financeiras e pessoais, que aumentam a carga de estresse e cansaço a níveis pouco suportáveis.

Uma vez percebida a situação, vem a parte mais complexa: mudar rotinas, padrões e buscar uma vida menos estressante. Como fazer isso sem sacrificar metas, resultados e a produtividade, tão exigidos atualmente? “Essa é a pergunta de um milhão de dólares”, diz Antônio Till. Apesar de não haver receita milagrosa, ele indica alguns comportamentos que podem ajudar bastante a melhorar a situação.

Para resolver a questão da mobilidade, vale o esforço de criar alternativas para andar no contra fluxo ao ir para o trabalho e para casa, evitando o grande estresse dos engarrafamentos e horários de pico. “É importante também estabelecer horários para a alimentação, separar pelo menos meia hora ou 40 minutos para comer, ter refeições leves, não ficar muito tempo sem comer, fazer atividade física, fazer do seu ambiente de trabalho um lugar agradável”, diz o médico.

Ao chegar em casa, outra atitude que pode ajudar a afastar a doença é tentar se desligar do trabalho e das cobranças da vida adulta. Fazer isso pode significar, em algum grau, abrir mão de um crescimento exageradamente rápido na carreira ou retardar um pouco aquela promoção tão almejada. Mas o equilíbrio pode ser o que vai determinar se a pessoa vai conseguir alcançar seus objetivos com saúde ou se, na hora de desfrutar suas conquistas, estará cansada demais para aproveitar.