São Paulo - Lionel Messi fechou 2011 com os títulos da Espanha, da Europa e do mundo. Começou 2012 sendo eleito o melhor jogador do mundo pela terceira vez consecutiva. Alguns meses depois, transformou-se no maior artilheiro da história de seu clube, o Barcelona. E tudo isso com apenas 24 anos. Sua espetacular galeria de títulos e o assombroso talento de sua perna esquerda já o colocam entre os maiores atletas da história - de qualquer modalidade.

Por ser um ídolo dos tempos da TV a cabo, da internet e das redes sociais, já vem sendo apontado como o melhor jogador de futebol de todos os tempos - resultado, é claro, do fato de ter todas as suas façanhas exibidas e comentadas ao vivo para todos os lugares do planeta. Os especialistas, no entanto, pedem calma e dizem que é necessário aguardar até cometer a ousadia de substituir gênios como Maradona e Pelé pelo jovem argentino, que ainda tem uma longa carreira pela frente. Messi já fez o bastante para ser incluído em qualquer debate sobre quem foi melhor. É consenso, porém, que ele ainda tem muitas coisas a conquistar. A seguir, alguns dos passos do astro do Barça no caminho para ser uma lenda.

Messi: o (pouco) que ainda falta para o astro do Barcelona

Vencer uma Copa do Mundo

Após duas participações frustradas, Lionel Messi ainda não figura entre os grandes craques que se consagraram numa Copa do Mundo. Além de nunca ter chegado nem sequer às semifinais do torneio, teve participações discretas em 2006 e 2010. O problema - pelo menos para os brasileiros - é que o argentino terá uma excelente oportunidade de vencê-la em 2014, na casa do maior rival, o que só aumentaria a dimensão da façanha. Vale lembrar que Ronaldo, Zidane, Maradona e Romário brilharam e venceram Copas com mais de 25 anos de idade - só Pelé era mais jovem, com 17. No Mundial do Brasil, Messi terá 26. 

Ser idolatrado em seu país

Nascido em Rosário, Messi se mudou para Barcelona - com tudo pago pelos olheiros que já enxergavam nele um talento raro - com apenas 13 anos, para jogar nas famosas divisões de base do clube catalão. Por ter saído cedo da Argentina e nunca ter conquistado um título com a seleção adulta, ainda não tem identificação com a torcida local para ser comparado a Maradona. Sua grande chance de virar ídolo do povo argentino veio no ano passado, quando a seleção jogou a Copa América em casa. Foi um desastre. Messi teve atuações discretas e a seleção caiu logo na segunda fase, um vexame histórico.

Recordes na Liga dos Campeões

Aos 24 anos, Messi já é o maior artilheiro da história do Barcelona em partidas oficiais (234 gols) e tem grandes chances de se tornar também o grande goleador da história da Liga dos Campeões da Europa, o principal torneio de clubes do mundo. O argentino já acumula 49 gols, mesmo número do compatriota Di Stéfano e 22 a menos que o líder da lista, Raúl Gonzales - duas lendas do rival Real Madrid. Se quiser sonhar alto, Messi pode mirar também no recorde de títulos do torneio. Ele tem três, enquanto Di Stéfano, do Real, e Maldini, do Milan, aparecem na liderança da lista, com 5 troféus para cada um.

Superar Zidane e Ronaldo

Vencedor do prêmio de melhor jogador do mundo entregue pela Fifa em 2009, 2010 e 2011, Messi já está empatado com Zidane e Ronaldo, também detentores de três troféus cada um. Caso leve mais uma taça - o que, convenhamos, é quase certo -, o argentino se tornará o maior ganhador da história da premiação, entregue desde 1991. Messi tem tudo para estabelecer uma marca quase inatingível nesse prêmio. Se jogar por mais dez temporadas, por exemplo, terá chances de sobra para atingir um recorde impossível de ser batido. Tudo depende do surgimento de novos concorrentes a melhor do mundo nesse período.

Tomar o lugar de Maradona

Messi já tem uma carreira internacional muito mais vencedora que a de Maradona - que tem o mérito de ter levado o modesto Napoli ao título italiano, mas isso nem se compara à avalanche de troféus que o Barcelona ganhou nos últimos anos. No quesito lances antológicos o jovem craque também já está deixando Maradona para trás. Para ocupar de vez o lugar do ex-craque na lista dos maiores da história do futebol argentino, falta uma Copa e também a adoração da torcida local. Esse segundo item é mais difícil para Messi, já que a distância entre Barcelona e Buenos Aires torna a idolatria dos argentinos por ele bem menos provável.

Agir como ídolo de verdade

É claro que o que conta para um craque virar lenda é o que ele faz em campo. É evidente, também, que Messi não precisa ser notícia fora dos gramados para garantir seu lugar na história. Mas ninguém discute que, para alguém considerado o rei do futebol contemporâneo, Messi é muito sem graça. Muito tímido e introvertido, Messi quase não concede entrevistas - e, quando fala, não tem muito a dizer. Entre os milhões de torcedores que o admiram, muitos jamais ouviram sua voz. Para virar ídolo de verdade, precisa agir como tal - e mostrar, ainda que por atitudes ao invés de palavras, que é digno de ser o herói de uma geração de torcedores.

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