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São Paulo - Os projetos de Shigeru Ban não duram muito nem primam pela beleza. Mesmo assim, o japonês figura entre os mais badalados arquitetos do mundo. O motivo? Construções que priorizam materiais recicláveis e tão ordinários quanto o papel. Em recente visita ao Brasil, Ban aceitou o convite da ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, para projetar creches com madeira ilegal apreendida na Amazônia.
1- Aberta em 2010, a filial do Centro Georges Pompidou na cidade francesa de Metz teve o projeto disputado por nomes como a dupla suíça Herzog & de Meuron. Ban venceu com a ideia de uma edificação de madeira fechada lateralmente com vidro. Assim, das galerias do espaço cultural, pode-se ver a Catedral de Saint-Étienne, um dos cartões- postais da cidade.
2- Coberto com uma membrana impermeável e translúcida de fibra de vidro e Teflon, o telhado ondulado de 8 mil m2“abraça” praticamente todo o edifício hexagonal de madeira laminada. O arquiteto conta que chegou a esta solução ao recordar de um chapéu chinês de bambu comprado em 1998 numa feira de artesanato no bairro parisiense de Saint-Germain-des-Prés.
3- Durante os seis anos de duração da obra em Metz, Ban mudou-se de Tóquio para Paris a fim de acompanhar o avanço das construções. Ele conta que sofreu pressão de todos os tipos para alterar os planos: “Tive de provar que a estrutura de madeira sairia mais barata e teria baixo impacto ambiental, pois muitos defendiam que trocássemos o material por aço”.
4- Autor também de casas luxuosas, seus trabalhos mais famosos são mesmo os feitos de celulose. Com esses conglomerados, cobertos de cola para se tornarem impermeáveis, o arquiteto constrói bibliotecas e abrigos em áreas devastadas por tragédias. Um de seus projetos acolheu vítimas do tsunami no Japão em março do ano passado.
5- Aficcionado por engenharia, Ban tornou-se conhecido por adotar rolos de papel prensado como elemento estrutural, algo impensável até os anos 90. “O que me interessa é adaptar velhos materiais a novas circunstâncias”, diz sobre suas escolhas estéticas.
6- A Pont du Gard, erguida pelos romanos antes da era cristã em Nîmes, no sul da França, serviu de modelo para a ponte de papel desenhada pelo arquiteto no verão de 2007. Apelidada pelo jornal francês Le Monde de “irmãzinha” da estrutura histórica, a construção uniu tubos de papel de 115 milímetros sobre o rio Gardon. E superou a resistência planejada: na fase de testes, chegou a suportar mais de 1 tonelada e meia de peso.
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