São Paulo – Tudo que é novo e emagrece não desperta dúvidas no público. Essa é a opinião da nutricionista e membro do Conselho Regional de Nutricionistas do Rio de Janeiro Vânia Barberan. Para ela, essa rapidez em absorver novidades pode ser um risco para quem gosta de aderir a novas “dietas milagrosas”, pois o tiro pode sair pela culatra.

Quando consumidos de maneira equivocada. alimentos como a chia, a quinua, ração humana e óleo de coco podem engordar e causar problemas de saúde. No entanto, com o propósito de emagrecer, muita gente passa a acreditar em certas mentiras a respeito deles. A nutricionista falou a EXAME.com sobre algumas delas.

Mentira: Cápsula de óleo de coco é uma boa opção para emagrecer

O óleo de coco, uma das novidades mais recentes em comidas “milagrosas”, ajuda a queimar calorias, diminuir o apetite, os triglicérides e o mau colesterol (LDL), se consumido diariamente. O problema é que, após a descoberta de seu potencial, o alimento passou a ser comercializado em forma de cápsulas. Para a nutricionista, o efeito delas é zero.

“A quantidade de uma cápsula não é nada. A pessoa teria que tomar entre seis e oito unidades para ter algum resultado”, afirma. Para quem quer emagrecer, é recomendado de uma a quatro colheres por dia, que podem ser consumidas puras ou misturadas preferencialmente ao iogurte natural (já que, em receitas do cotidiano, o forte sabor do óleo “contamina” todo o prato).

Mentira: O custo-benefício da chia é maior do que o de uma dieta equilibrada

Uma das últimas comidas da moda, a chia é um grão proveniente do sul do México e é usado muitas vezes como repositor energético. Segundo Vânia Barberan, essa semente tem grande concentração de oligoelementos, que são nutrientes como ácido fólico, ferro, cálcio, magnésio e potássio.

Como toda semente, ela tem bastante fibra e pode ajudar no funcionamento digestivo e na saciedade. Assim, a nutricionista não nega os benefícios da chia para uma vida saudável, mas afirma que ela não faz milagre. “Ele deve acompanhar uma dieta para oferecer os benefícios de emagrecimento, em função de aumentar a saciedade, o que a linhaça, o gergelim, a aveia, as sementes germinadas, também oferecem”, diz.

Com propriedades bem parecidas com os grãos citados pela especialista, a chia acaba perdendo pelo preço, já que é vendida em pequenas quantidades (pacotes de 100 a 200 gramas) e valores salgados, que variam de 12 a 25 reais.

Mentira: Não há chance de engordar comendo chia

Outro pensamento equivocado que muitas pessoas têm ao saber de um novo alimento “emagrecedor” é a ideia de que ele não pode causar o efeito contrário. Segundo Vânia, o risco existe e, no caso da chia, a razão está no fato de que ela é, curiosamente, bastante calórica.

Uma colher (de sopa) dessa semente tem cerca de 65 calorias e, como ela é bastante escorregadia, não é difícil cair mais do que o necessário (de duas a três colheres) dentro do prato. Mais um comportamento típico de autossabotagem é a permissividade que vem quando a pessoa acha que está tendo uma alimentação saudável.

“As pessoas comem a chia e, conscientemente, se permitem fazer coisas que não deveriam, como tomar refrigerante no almoço ou comem uma pizza”, afirma.

Mentira: Quinua pode ser consumida à vontade por todos

De acordo com a nutricionista Vânia, a quinua é uma leguminosa (assim como o feijão) muito proteica, cujo valor nutricional é o mesmo de uma porção de carne. “Por isso uso muito com vegetarianos, mas não vejo necessidade de passar esse produto para quem consome carne em pelo menos uma das refeições”, diz.

Para quem não come só vegetais, ela é uma alternativa mais saudável, quando a carne não é incluída ao cardápio. Essa substituição é sugerida para que os níveis de proteína no organismo não subam além da conta, o que pode provocar problemas renais. Como os brasileiros costumam comer muita carne, o consumo inadequado de quinoa pode ser um risco.

Mentira: Triturar sementes, como na ração humana, é a melhor forma de consumir ingredientes importantes

A filosofia do “tudo junto e misturado”, como na ração humana, para reunir uma grande variedade de nutrientes em uma espécie de farofa não é a melhor forma de consumir esses alimentos, segundo a nutricionista. A linhaça, um dos ingredientes usados, pode perder suas propriedades se, após triturada, for guardada por muito tempo, por exemplo.

Outro problema é que a ração humana pode levar itens, como a canela e o cacau em pó, que não podem ser consumidos todos os dias por algumas pessoas. Por último, a armadilha do sabor repetitivo pode fazer com que as pessoas abandonem o hábito depois de duas semanas e, pior, voltem a engordar. “E aí, elas ficam sem recursos, porque já enjoou de tudo que tinha na ração”, diz. Assim, o regime vai embora.

Tópicos: Alimentos, Dietas, Emagrecimento, Saúde e boa forma, Mentiras