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Literatura | 12/01/2012 11:08

Orhan Pamuk fala de revolução e liberdade

O romancista turco reflete sobre as contradições que cada protagonista da Primavera Árabe enfrenta ao lutar pela democracia em países muçulmanos

Marcelo Musa Cavallari, da
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Getty Images/Ralph Orlowski

Orhan Pamuk

O escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura em 2006. “Fiquei muito feliz com as manifestações populares por ver que os árabes estavam retomando sua dignidade”

São Paulo - "Minha literatura não é do tipo que se preocupa com o que acontece no próximo capítulo”, diz o escritor Orhan Pamuk. “O que importa não é o que vem em seguida, mas, sim, do que se trata a vida.” Aos 59 anos, com mais de 15 milhões de livros vendidos em cerca de 60 países, consagrado com o Nobel de Literatura de 2006, Pamuk continua vivendo na cidade em que nasceu: a Istambul turca. Meio Europa e meio Ásia, muçulmana e secular, meio Ocidente e meio Oriente Médio, ex-império e país emergente, a Turquia que o autor costuma retratar é o cenário para personagens à procura da própria identidade – uma busca que também move o romancista.

E é com os olhos de quem escreve sob o compromisso de “entender as pessoas, colocar-se no lugar delas, compreendê-las sem as julgar”, que Pamuk assistiu, pela TV, como quase todo mundo, à derrubada de regimes ditatoriais do norte da África, O fenômeno teve início há pouco mais de um ano, em dezembro de 2010, e logo recebeu o nome de Primavera Árabe. Para o escritor, o fundamental nesse evento eminentemente político é, mais uma vez, a busca da identidade – ou como acomodar tendências tradicionais e modernizantes no coração de cada habitante desses países de cultura islâmica que, agora, tentam abraçar a democracia.

De passagem por São Paulo, onde proferiu uma palestra e lançou o livro O Romancista Ingênuo e o Sentimental, compêndio de aulas ministradas na Universidade Harvard (Estados Unidos), Pamuk concedeu uma entrevista.

Como você reagiu ao saber dos primeiros acontecimentos que dariam origem à Primavera Árabe?

Orhan Pamuk: Fiquei muitíssimo feliz, especialmente no dia em que (o presidente egípcio Hosni) Mubarak caiu. Quando todas as TVs internacionais mostraram a praça Tahrir, no Cairo, e a imensa alegria da multidão, havia quase lágrimas nos meus olhos. Em primeiro lugar, por ver que os árabes estavam retomando sua dignidade. Depois, por algo que afeta todo o Islã. Os povos árabe, turco e persa são povos diferentes, mas estão entre as principais nações da cultura islâmica.

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