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Os capítulos mais bombásticos do Livro de Boni, lançado pela editora Casa da Palavra, vão ficar para o volume 2
São Paulo - José Bonifácio de Oliveira Sobrinho está lançando O Livro do Boni. Como ele bem avisa, logo de início, trata-se de uma “coletânea de episódios”, principalmente de sua vida profissional. As páginas contam desde como Roberto Carlos foi escalado para os especiais de Natal da Globo, até agruras das primeiras transmissões de Carnaval, passando de leve por episódios controversos, como a cobertura das Diretas.
Nada de revelações bombásticas do homem forte da TV Globo? Sem segredos de bastidor da Vênus Platinada? Não. Porque ele não quer se indispor com ninguém e pretende trabalhar e viver – duas tarefas que pratica com maestria – ainda por muito tempo. Até o final dos anos 1990, Boni tinha poder na Rede Globo para decidir sobre tudo: de investimentos a programação, respondendo apenas ao dono, Roberto Marinho. Nos 31 anos em que ficou na empresa, ela se transformou na primeira emissora da América Latina e quarta do mundo. Após sua saída, em 1998, Boni ainda recebeu por quatro anos para atuar como consultor particular de Roberto Irineu Marinho, vice-presidente executivo e filho de Roberto, que assumiu as operações e com quem Boni se desentendeu. Mas nunca foi consultado para nada.
“Escrevi o livro coagido, aquele negócio: ou dá ou desce. Não queria porque sentia psicologicamente como se estivesse terminando minha carreira, quando na verdade estou no meio do meu trabalho”, diz. Aos 76 anos, ele só decidiu quando o amigo Ricardo Amaral, empresário da noite, falou: “Escreve esse e depois faz como no cinema americano: Duro de Matar 1, 2. Livro do Boni 1, 2, 3…”.
Convencido a deitar os tais episódios no papel, Boni abraçou a empreitada com a intensidade que aplica a todos os seus projetos. “Fiz o livro em quatro meses. Sozinho. Mesmo sem qualidade literária, queria que fosse a expressão de meus pensamentos. O Jô levou cinco anos escrevendo o dele. Com auxílio”, cutuca. Boni funciona assim: bota prazo e resolve. Até com doença. Quando seu câncer de próstata voltou, em agosto, o médico lhe prescreveu 38 semanas de radioterapia, com intervalos entre elas, por ser um tratamento cansativo. Ele aplicou seu jeito. “Falei: vamos direto. Se tiver horário no sábado e domingo, eu quero! E pronto, já me livrei do câncer. Só não consegui botar prazo até hoje para emagrecer”, confessa.
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