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O escritor norte-americano Michael Sledge. Em Ouro Preto, ele se sentou à mesa de chá da casa da poeta....
São Paulo - O prefeito tinha jeito com as portas. Com um aceno de mão, com um simples olhar, elas se abriam magicamente para ele.
Era o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, e ele me levava de uma bela casa para a outra, para concertos, jantares e comemorações. Eu tinha vindo ao Brasil, em julho deste ano, para lançar meu livro sobre a poeta Elizabeth Bishop, que passou a maior parte das décadas de 50 e 60 no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Encantada com Ouro Preto, ela tinha comprado uma casa lá, sua última residência no Brasil antes de retornar de vez aos Estados Unidos. Então também eu vim, para seguir os passos dela.
Oito anos atrás, em 2003, eu chegava a Ouro Preto pela primeira vez e todas as suas portas estavam decididamente fechadas. Do centro da cidade, segui pela mesma estrada para Mariana até chegar à casa que tinha cativado Elizabeth Bishop. Reconheci das fotos a maravilha do século 18, erguida ao lado de um córrego e cercada por jardins, com “um telhado bem comprido, inclinado, que parece um dragão ou um iguana”, como a poeta o havia descrito a um amigo, e que eu tinha visto apenas em fotografias.
Mas não cheguei a entrar na casa nessa viagem. Uma parte de mim não queria isso. Era através da lente da ficção que eu desejava ver a vida de Elizabeth Bishop, e a ficção é um caminho de investigação que busca certas brechas nos fatos, nas quais a imaginação possa se infiltrar e florescer.
Além disso, eu relutava em contar a qualquer pessoa o que estava fazendo, com vergonha da minha presunção de tentar escrever um livro baseado na vida de uma escritora querida e icônica, cujo status nas letras norte-americanas cresce notadamente com o tempo, e cujo compromisso de dominar sua arte tornou-se lendário.
Apesar do receio, no entanto, senti-me compelido pela história pessoal da poeta e pelo seu grande amor pela ardente Lota de Macedo Soares.
Os primeiros anos da vida de Elizabeth foram dolorosamente solitários – fugindo de uma infância órfã e desolada e em constante luta contra o alcoolismo, sua vida privada era um problema mesmo quando a sua poesia começou a atrair a atenção da crítica.
Duas semanas após sua chegada ao Rio, Elizabeth correu com Lota para a casa que esta construía fora da cidade, encravada nas montanhas de Petrópolis. Na década seguinte, as duas viveram em um paraíso doméstico. Elizabeth começava o que provavelmente foi a fase mais produtiva de sua carreira como escritora, que acabou lhe dando o prêmio Pulitzer.
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