Intensidade de treino da seleção brasileira causa dúvida

A seleção teve até agora dois dias de treinos para o jogo contra o Chile

Teresópolis – A seleção brasileira teve até agora dois dias de treinos para o jogo contra o Chile. Na última quarta-feira, os titulares se exercitaram na academia e os reservas treinaram, de leve, em campo.

Na quinta, o coletivo teve 44 minutos – e os jogadores deram a impressão de estar se poupando.

A situação levanta a dúvida: a seleção está treinando pouco, em uma fase da Copa em que as equipes que permanecem na competição precisam estar bem afiadas técnica, tática e fisicamente para suplantar os adversários?

A comissão técnica, evidentemente, garante que todo o trabalho está sendo feito com base em detalhada avaliação física de cada atleta.

Eles se apresentaram um mês atrás em diferentes estágios – muitos vieram do fim da temporada europeia, alguns estão no meio da temporada no Brasil e vários enfrentaram contusões – e os exames definiram como seriam as atividades.

“A Copa é sempre no fim de temporada da maioria dos jogadores e as avaliações nos mostram como agir. Já estamos acostumados com essa situação e o importante é que conseguimos um ponto de equilíbrio do grupo, algo que é muito difícil de ser encontrado”, defendeu recentemente o preparador físico Paulo Paixão.

Levantamento feito com base em informações disponíveis nos sites dos clubes em que jogam e nas súmulas dos amistosos da seleção contra África do Sul, Panamá e Sérvia, mostra que os 11 titulares do Brasil, quando estrearam contra a Croácia, vinham de diferentes níveis de desgaste físico.

Houve jogador que atuou em média 59,3 minutos por partida, caso de Oscar, e quem atingiu 88,2 minutos, como Luiz Gustavo.

A preocupação de evitar que algum jogador “estoure” é nítida nos treinos. Fred, por exemplo, admitiu isso claramente nesta quinta ao reconhecer como os jogadores se pouparam no coletivo.

“Demos uma segurada. Como o jogo com o Chile é sábado, está todo mundo com a perna para o alto para dar uma recuperada (no aspecto físico)”, disse o atacante.

No entanto, ao treinar menos em campo, Felipão se vê impedido de aperfeiçoar com mais ênfase aspectos táticos da equipe e ensaiar jogadas específicas para utilizar contra o adversário que terá pela frente.

Ainda assim age corretamente, acredita o fisiologista Turíbio Leite de Barros, que já trabalhou na seleção.

“O risco de uma lesão é sempre no treino com bola. É quando o jogador exagera na quantidade de chute, quando pode se machucar ao dar um pique e frear bruscamente. Na academia, esse risco é bem menor. E, nesta altura, treino com bola é para fazer ajuste fino da equipe. Ninguém precisa de treino que exija demais fisicamente”, considerou o profissional.

Para Turíbio, as dores na coxa esquerda que Hulk sentiu a ponto de deixá-lo fora do jogo contra o México serviu de alerta. Ainda assim, há quem estranhe.

“Não quero falar sem conhecimento de causa para não ser injusto. Mas se tratando do Felipão, assusta um pouco. Acho, porém, que ele está fazendo de tudo para aborrecer o menos possível os jogadores”, disse o ex-técnico Emerson Leão.