Felipão testa opções no último treino antes da semifinal

"Já tenho (um substituto para o Neymar), mas não (vou divulgar)", limitou-se a responder o treinador. "Nem os jogadores sabem", insistiu o técnico da seleção

Teresópolis – O mistério sobre o substituto de Neymar deve permanecer até poucos minutos antes da semifinal contra a Alemanha, já que o técnico Luiz Felipe Scolari praticamente não deu pistas de quem começará jogando no treino que comandou nesta segunda-feira na Granja Comary, em Teresópolis.

Depois do treino, Felipão pegou um helicóptero junto com o capitão Thiago Silva rumo a Belo Horizonte, onde concedeu entrevista coletiva no Mineirão, palco do jogo de terça-feira, mas continuou escondendo o jogo quando foi perguntado se tinha a equipe titular em mente.

“Já tenho, mas não (vou divulgar)”, limitou-se a responder o treinador. “Nem os jogadores sabem”, insistiu.

No início da atividade, a equipe foi dividida em dois grupos: os titulares, sem colete, treinando movimentação contra um adversário imaginário, e os reservas, de colete vermelho, no campo principal.

Na primeira formação, Felipão mudou o esquema tático, passando do 4-2-3-1 para o 4-3-3, com três volantes. Dessa forma, Luiz Gustavo volta ao time titular depois de cumprir suspensão, mantendo Paulinho e Fernandinho, que foram muito bem na sua ausência, para formar um meio de campo reforçado.

Outra mudança foi o retorno de Daniel Alves no lugar de Maicon, que foi titular na vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia nas quartas de final.

Tudo parecia claro, mas, poucos minutos depois, o treinador resolveu confundir a cabeça de todos, fazendo várias mudanças.

Os primeiros a trocar de colete foram Paulinho e Willian. Com essa formação, a equipe volta ao esquema inicial, com Willian fazendo a função de Neymar e Oscar jogando mais centralizado.

Liberdade para os laterais

Quando se achava que finalmente Oscar teria condições de ser o “maestro” do time, Felipão resolveu tirá-lo da equipe titular para colocar no lugar dele Bernard, outro candidato à vaga de Neymar. Em seguida, Maicon trocou de colete com Daniel Alves.

“Se jogar com três volantes, vou dar mais liberdade aos laterais. Se jogar com dois homens, vou dar um pouquinho menos de liberdade, mas vou acrescentar algumas situações diferentes para causar prejuízo à equipe da Alemanha”, comentou Felipão na entrevista coletiva.

Também foi testada uma formação com Hernanes no lugar de Fernandinho e com Oscar novamente de volta na vaga de Willian. A última mudança foi mais inesperada, com a entrada de Jô no lugar de Fred.

O zagueiro Dante, o mais cotado para jogar no lugar de Thiago Silva, suspenso, treinou o tempo todo entre os titulares.

Esse treino tático de movimentação durou cerca de 40 minutos, e depois esperava-se que Felipão finalmente fosse comandar um coletivo, definindo de vez o time titular. Nada disso.

Todos foram para o campo principal, mas os jogadores fizeram apenas um “rachão” em campo reduzido, não dando pistas de quem começará jogando contra a Alemanha.

Ao longo desta Copa do Mundo, Felipão virou mestre em despistar jornalistas, deixando muitas vezes para revelar a formação final na última hora. O treinador já tinha escondido o jogo nos dias que antecederam os duelos de mata-mata, contra Chile e Colômbia.

Desta vez, a estratégia tem um objetivo claro: confundir a Alemanha, que, ao contrário dos adversários anteriores, não precisará se preocupar em parar Neymar, mas terá que encarar a força coletiva da “família Scolari”.