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São Paulo - É noite de lua cheia em Alto Paraíso de Goiás. Em um sítio nos arredores da cidade, 60 pessoas dançam ao som da música discotecada pelo anfitrião, Christof Rabanus, um alemão que morou por 14 anos em Goa, na Índia. A enorme varanda que se projeta sobre a Chapada do Veadeiros estremece ao som hipnótico, eletrônico de notas orientais, que sai do picape high-tech, displicentemente arrumado sobre uma tábua de madeira rústica.
Arranjos de flores silvestres e um candelabro que lança sombras bruxuleantes completam o visual mágico do cerrado, tingido de azul pelo céu da madrugada. A celebração teve início poucas horas antes, com um casamento judaico. Noiva israelense e noivo americano selaram a união sob uma chupá (a tenda tradicional hebraica) enfeitada de desenhos coloridos da croata Bozena Markota, que os refletia através de uma pedra de cristal adaptada a um projetor de slides. Ao final da cerimônia, uma amiga brasileira cantava ao violão enquanto Sahar Farmanfarmaian, iraniana descendente da dinastia persa Qajar (que governou o Irã de 1785 a 1925), os abençoava em inglês.
Alto Paraíso é o novo hot spot, a nova meca de uma turma de peregrinos com pedigree, ricos descolados que buscam uma vida alternativa em meio à natureza, sem abdicar de muito conforto. A festa ocorre mensalmente no primeiro dia de lua cheia. Só muda o anfitrião. A inspiração vem das raves na Tailândia e em Goa, na Índia, que rolam no mesmo período. É um ritual que une música trance, espiritualidade, decoração psicodélica e pratos de sofisticada comida orgânica, vegetariana ou raw (crua).
De chás e ervas cultivados no quintal a drogas sintetizadas em laboratório, tudo o que ajude a abrir as portas para uma “nova consciência” é bem-vindo. Provenientes de todos os cantos do planeta, num movimento que começou nos anos 1980 em Ibiza, na Espanha, e seguiu para Goa, esses viajantes receberam a alcunha de gypsetters, termo criado em 2009 pela estilista e jornalista americana Julia Chaplin em seu livro Gypset Style.
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