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Automobilismo | 19/09/2012 10:32

Trauma tirou Emerson Fittipaldi de Le Mans

"Um brasileiro que era um dos melhores pilotos da época foi correr Le Mans com o Alpine e morreu. Aquilo ficou na minha cabeça", diz

Vicente Vilardaga, da

David Ashdown/Getty Images

Ex-piloto de fórmula 1, Emerson Fittipaldi, comemorando vitória no grande prêmio de Silverstone em 1975

Bicampeão da Fórmula 1 disse que nunca disputou as 24 horas de Le Mans, na França, por causa do acidente com o piloto Christian “Bino” Heinz

São Paulo - O bicampeão da Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, que acaba de trazer para o Brasil uma das oito etapas do campeonato mundial de resistência (FIA World Endurance Championship), nunca disputou as 24 horas de Le Mans, na França, prova emblemática da modalidade, por causa de um trauma: o acidente com o piloto Christian “Bino” Heinz, primeiro brasileiro a morrer em uma prova internacional de automobilismo na Europa.

Heinz morreu em 1963, depois que seu Alpine M63, um protótipo baseado no modelo da Willys que no Brasil levava o nome de Interlagos e estava decorado com faixas longitudinais verdes e amarelas, derrapou a 230 quilômetros por hora em uma grande mancha de óleo na pista, capotou várias vezes e se espatifou de encontro a um poste. Heinz bateu a cabeça e morreu na hora. Desde aquele dia, Fittipaldi, com 17 anos na época, passou a temer a prova de Le Mans e, apesar dos dois convites que teve de disputá-la, preferiu não arriscar.

“Eu era moleque, jovem, e tinha trauma por causa do Heinz que morreu lá”, lembra. “Um brasileiro que era um dos melhores pilotos da época foi correr Le Mans com o Alpine e morreu. Aquilo ficou na minha cabeça. O carro virou no óleo e explodiu na hora. Falei que nunca correria em Le Mans”.

A má experiência não tirou a admiração de Fittipaldi pela prova. Ele sempre a considerou uma das corridas mais desafiadoras e emocionantes do automobilismo mundial e acredita que um brasileiro ainda vai se sobressair na modalidade de resistência, como já acontece na F-1 e na Indy. “É a prova que falta para nossos pilotos, é nosso desafio”, diz. “E não faltarão chances nos próximos anos, inclusive em Le Mans”.

Agora, com a inclusão de São Paulo no calendário mundial e o aumento da presença de brasileiros no circuito, crescem as chances de uma vitória na categoria. A classificação em terceiro lugar de Lucas di Grassi, que integrou o time da Audi ao lado de Tom Kristensen e Allan McNish na corrida de Interlagos, foi comemorada por Fittipaldi, que tinha esperanças, inclusive, de um primeiro lugar. Grassi correu em um Audi R-18 ultra.

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