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São Paulo – Quando se trata de superação, o publicitário, jornalista, palestrante e autor de 28 livros José Luiz Tejon Megido sabe muito bem o que diz. Adotado na infância, ele não conheceu os pais biológicos e, quando tinha quatro anos de idade, sofreu um grave acidente que queimou totalmente seu rosto e o deixou semi-internado em hospitais públicos por 14 anos.
Mesmo com essas dificuldades, ele construiu uma carreira sólida e, no dia 13 de junho, aos 59 anos, lança sua mais recente obra “O Código da Superação”, na livraria Saraiva do Shopping Morumbi, em São Paulo. O livro relata sua jornada ao Megiddo, região de Israel citada na Bíblia como o lugar onde acontecerá o Armagedom, ou a batalha final entre as forças do bem e do mal.
Apesar de um cenário aparentemente religioso, Tejon entrou de corpo e alma nessa aventura para tentar alcançar o autoconhecimento. A escolha do lugar tem a ver com seu nome, que também é Megido (com um “d” a menos), e suas origens – parte que ele considera importante no processo de superação. Em entrevista a EXAME.com, Tejon fala sobre seu livro, o que é superação e como alcançá-la. Confira os principais trechos da conversa.
EXAME.com - O que é superação para o senhor?
José Luiz Tejon Megido - Eu vejo a superação em quatro dimensões. A primeira é a mais primária, que é das dificuldades físicas, traumas e do aspecto mais simples do viver, do aqui e agora, o acidente, do aspecto das coisas da vida. A segunda dimensão é das superações psicológicas, mentais, como aprender a pensar, orquestrar o cérebro, programar o cérebro e não ser dominado por ele. Quando se supera o trauma físico, a pessoa vai ter que encontrar o segundo elo, da superação da forma de pensar.
A terceira dimensão é talvez a mais sutil. É superar a sensação de zona de conforto, é aquela em que você acha que chegou lá, já tem sucesso, e estaciona. Mas o que a gente vê na vida é que não existe estacionamento gratuito, ela cobra uma taxa invisível e um dia você vai ser cobrado. Essa concepção de zona de conforto está muito impregnada na nossa sociedade. Só que todas as coisas na vida nunca são pontos finais.
E eu invado, agora, outro campo. Eu creio que existe uma inteligência, um comprometimento do ser humano com alguma causa, alguma obra. Todo ser humano nasce com algum talento, uma vocação, que traz de dentro de si para a humanidade. Esse encontro de sua essência é a superação da alma, em que eu encontro minha vocação, o dom para trabalhar na criação. Essa é a grande e a quarta superação.
EXAME.com – Como o senhor define o seu livro?
Tejon – O meu livro tem uma proposta instigadora, é um livro curto, mas que mostra muitos ângulos. Minha intenção é provocar o ser humano para ver quantas distrações tiram o ser humano do rumo. O próprio acidente poderia ser um extraordinário desvio do meu talento, eu poderia ter ficado paralisado no trauma, que foi complicado porque não tem como esconder.
Vejo que muitas pessoas ficam distraídas e acabam por abandonar a busca da felicidade e da sua verdade íntima. O reino das distrações é poderoso, tanto das traumáticas quanto das não traumáticas, de prazer e satisfações que não estão sendo usadas na busca. E, como disse, não existe estacionamento gratuito.
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